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Prospectiva / Futuro dos ads

O Anúncio Troca de Leitor.

A publicidade digital não vai acabar. Vai parar de ser lida por gente.

  • LENTEcomportamento + estrutura de mercado
  • HORIZONTE2030 · 2040 · 2050
  • PRODUÇÃOset 2026

1 · Em 30 segundos

Cada vez menos gente vê anúncio, e cada vez mais dinheiro passa por ele. O que está sendo comprado deixou de ser atenção

01/ 05

A máquina já compra e já cria. O que falta automatizar é o anunciante

Isso não é tendência, é balanço. As soluções Advantage+ da Meta saíram de US$ 20 bilhões de run-rate anual no 4T24 para US$ 75 bilhões no 2T26, cerca de 31% da receita de anúncios (Meta, 2T26, T1, cálculo próprio sobre os US$ 59,4 bilhões do trimestre). O Google diz que mais de 500 mil anunciantes rodam AI Max, com ganho médio de 15% em conversões a ROAS similar, e que o sistema desbloqueia buscas antes não monetizáveis (Alphabet, 2T26, T1). A Amazon reporta 6% menos custo por aquisição com o Ads Agent, que gera campanhas de conceito à conclusão. No Brasil, o Mercado Livre atribuiu o crescimento de 73% do Mercado Ads ao maior engajamento de sellers com ferramentas de IA (MELI, 2T26, T1). A Meta declarou ao Wall Street Journal, em junho de 2025, a meta de permitir que marcas criem e segmentem anúncios inteiramente por IA até o fim de 2026. Na prática: o CMO já não decide quem vê o anúncio, decide quanto entrega ao algoritmo. E a vantagem competitiva de saber operar plataforma tem prazo de validade.

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Isso não é tendência, é balanço. As soluções Advantage+ da Meta saíram de US$ 20 bilhões de run-rate anual no 4T24 para US$ 75 bilhões no 2T26, cerca de 31% da receita de anúncios (Meta, 2T26, T1, cálculo próprio sobre os US$ 59,4 bilhões do trimestre). O Google diz que mais de 500 mil anunciantes rodam AI Max, com ganho médio de 15% em conversões a ROAS similar, e que o sistema desbloqueia buscas antes não monetizáveis (Alphabet, 2T26, T1). A Amazon reporta 6% menos custo por aquisição com o Ads Agent, que gera campanhas de conceito à conclusão. No Brasil, o Mercado Livre atribuiu o crescimento de 73% do Mercado Ads ao maior engajamento de sellers com ferramentas de IA (MELI, 2T26, T1). A Meta declarou ao Wall Street Journal, em junho de 2025, a meta de permitir que marcas criem e segmentem anúncios inteiramente por IA até o fim de 2026. Na prática: o CMO já não decide quem vê o anúncio, decide quanto entrega ao algoritmo. E a vantagem competitiva de saber operar plataforma tem prazo de validade.

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A resposta de IA virou inventário, e nasceu com um problema de confiança embutido

A OpenAI abriu anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026 nos EUA, chegou ao Brasil em agosto e cravou US$ 1 bilhão de run-rate em menos de 200 dias (OpenAI, T1, fornecedor).

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A OpenAI abriu anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026 nos EUA, chegou ao Brasil em agosto e cravou US$ 1 bilhão de run-rate em menos de 200 dias (OpenAI, T1, fornecedor). Um painel de usuários reais mediu que 26% das respostas do ChatGPT nas versões gratuitas já carregam um anúncio patrocinado (Similarweb, T2). A WPP Media dimensiona a busca generativa como o canal mais rápido a chegar a US$ 100 bilhões, saindo de US$ 5,1 bilhões em 2026 para mais de US$ 100 bilhões em 2030 (WPP Media, midyear 2026, T1, projeção de fornecedor com interesse). O contra-sinal é igualmente forte e precisa entrar na conta: a Perplexity abandonou anúncios em fevereiro de 2026 porque, nas palavras da empresa, o usuário começaria a duvidar de tudo; e 63% dos adultos americanos dizem que anúncio reduz a confiança na resposta da IA (Ipsos via eMarketer, T2). A maior superfície nova de mídia desde o TikTok nasce com um problema de confiança embutido, e quem aprender a anunciar sem contaminar a resposta ganha o canal.

03/ 05

O clique morreu, a mensuração morreu junto, e a web aberta perdeu o "visto por gente"

Em 2024, 60,45% das buscas no Google nos EUA terminavam sem clique; em 2026 são 68,01% (SparkToro sobre painel Similarweb, T2).

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Em 2024, 60,45% das buscas no Google nos EUA terminavam sem clique; em 2026 são 68,01% (SparkToro sobre painel Similarweb, T2). O Pew mediu o efeito direto: 8% de clique quando há resumo de IA contra 15% quando não há (Pew Research Center, jul/2025, T1). A Cloudflare, que enxerga boa parte do tráfego do planeta, passou a bloquear por padrão, a partir de 15 de setembro de 2026, rastreadores de IA em páginas com anúncio, com a justificativa de que a maioria do tráfego da internet já não é humano. Publishers ainda chamam a navegação por agentes de "um problema de 3%" — exatamente o tamanho que o AI Overviews tinha antes de derrubar o clique. O modelo que sustentou a web aberta por 25 anos (conteúdo grátis pago por anúncio visto por gente) perdeu o "visto por gente", e a resposta das plataformas é uma régua nova, também delas: as Qualified Future Conversions do Google. O anunciante troca uma caixa-preta por outra.

04/ 05

O agente de compra ainda não decolou, mas os trilhos já estão prontos — e é esse o eixo do estudo

A primeira tentativa de checkout dentro do chat falhou: a OpenAI descontinuou o Instant Checkout em março de 2026 e o Walmart reportou conversão três vezes menor dentro do chat do que no clique para o site (Modern Retail e Forrester, T2). A eMarketer projeta apenas 1,5% do e-commerce americano via plataformas de IA em 2026. Mas a infraestrutura correu na direção oposta: o Google lançou o Universal Commerce Protocol com Walmart, Target, Shopify e Etsy em janeiro de 2026; a Visa colocou pagamentos por agente em produção com mais de 30 emissores europeus em julho de 2026; e o Rufus, agente de compras da Amazon, foi usado por 250 milhões de pessoas em 2025 e começou a cobrar por anúncios dentro das conversas em março de 2026. Leitura: a delegação da compra é lenta na adoção e rápida na infraestrutura. É o driver de maior impacto e maior incerteza deste estudo, e por isso vira eixo de cenário.

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A primeira tentativa de checkout dentro do chat falhou: a OpenAI descontinuou o Instant Checkout em março de 2026 e o Walmart reportou conversão três vezes menor dentro do chat do que no clique para o site (Modern Retail e Forrester, T2). A eMarketer projeta apenas 1,5% do e-commerce americano via plataformas de IA em 2026. Mas a infraestrutura correu na direção oposta: o Google lançou o Universal Commerce Protocol com Walmart, Target, Shopify e Etsy em janeiro de 2026; a Visa colocou pagamentos por agente em produção com mais de 30 emissores europeus em julho de 2026; e o Rufus, agente de compras da Amazon, foi usado por 250 milhões de pessoas em 2025 e começou a cobrar por anúncios dentro das conversas em março de 2026. Leitura: a delegação da compra é lenta na adoção e rápida na infraestrutura. É o driver de maior impacto e maior incerteza deste estudo, e por isso vira eixo de cenário.

05/ 05

O Brasil é feed-first, mobile-only e regulado pela borda: o que acontece aqui é prévia, não cópia

Social responde por 55% da verba digital brasileira contra 26% de search (IAB Brasil, T1).

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Social responde por 55% da verba digital brasileira contra 26% de search (IAB Brasil, T1). Dois terços dos usuários acessam só pelo celular (Cetic.br, TIC Domicílios 2025, T1). O brasileiro passa 7h39 por dia online e 4h10 em redes sociais, o quarto maior tempo do mundo, com WhatsApp em 93,9% dos usuários (DataReportal, Digital 2026 Brazil, T2). E a regulação escolheu o anúncio como ponto de pressão: o ECA Digital (Lei 15.211/2025) está em vigor desde 17 de março de 2026 e proíbe perfilamento de menores para publicidade, com multa de até 10% do faturamento no Brasil e teto de R$ 50 milhões por infração; a ANPD elegeu publicidade comportamental como prioridade explícita de fiscalização para 2026 e 2027; o STF consolidou em 17 de junho de 2026 que anúncio pago e impulsionamento carregam presunção relativa de culpa da plataforma; e as bets, o setor de maior crescimento em 2024, agora precisam de alerta em 10% do espaço do anúncio. Enquanto isso, o PL 2338 da lei de IA está parado há 16 meses. Leitura: o cerco ao anúncio já está em vigor, e compliance de mídia virou função de risco, não de marketing.

Quatro números para guardar

CONCLUSÃO ESTRATÉGICA

Conclusão estratégica

O que está acontecendo

A publicidade digital está trocando de leitor. A máquina já cria e compra o anúncio (um terço da receita da Meta roda em automação total), a resposta de IA já é inventário (US$ 1 bilhão de run-rate no ChatGPT, com anúncio no Brasil), e os trilhos para que a máquina também decida a compra estão prontos, ainda que a adoção seja lenta (Instant Checkout cancelado, 1,5% do e-commerce via IA). No Brasil, a internet passou a TV somada no primeiro semestre de 2026, o retail media cresce três vezes o digital, e a regulação escolheu o anúncio como ponto de pressão enquanto a lei de IA não sai.

O que isso significa para quem paga a mídia

A estratégia de 2026 sobrevive só nos cenários que se parecem com 2026. Nos outros quatro, o que decide é o que a marca construiu antes: dado consentido, prova legível por máquina, atenção premium contratada, governança da automação e gestão de risco regulatório. O take rate das plataformas cresce em cinco dos seis cenários; a única defesa estrutural é ter algo que a plataforma não tem — a relação direta e o registro verificável.

O que fazer até 2028

Oito movimentos, com dono e prazo: base consentida acima de 30% da base ativa; marca legível e verificável por modelos; automação governada com testes de incrementalidade e teto por caixa-preta; atenção premium contratada por três anos; relação direta que não passa por leilão; mensuração incremental própria; mídia no comitê de risco; e, para a agência, escolher a espécie. Nenhum deles depende de saber qual cenário vem. Todos ficam mais caros depois de 2028.

O que não fazer

Não apostar tudo num cenário. Não entregar o orçamento inteiro à automação sem controle. Não tratar presença em IA como SEO — SEO disputa posição numa página, aqui se disputa inclusão numa decisão, e já existe preço por ela. Não esperar a lei de IA para governar dado e menores, porque a fiscalização por peça já está em vigor. E não confundir queda de fee de agência com economia: o que sai da agência entra no take rate da plataforma se a marca não ocupar o espaço com capacidade própria.

2 · Teste seu faro

O CMO não decide mais quem vê o anúncio. Decide quanto entrega ao algoritmo.

A automação da compra e da criação não é tendência, é balanço. As soluções Advantage+ da Meta saíram de US$ 20 bilhões de run-rate anual no quarto trimestre de 2024 para US$ 75 bilhões no segundo trimestre de 2026 — cerca de um terço da receita de anúncios da empresa. O que entra no lugar da decisão humana não é neutro: é um modelo que otimiza para a média do leilão, e a diferença passa a morar no que a marca entrega de entrada — produto, dado e significado.

O radar inteiro · 26 sinais

  • Sinal forte Plataformas automatizam de ponta a ponta

    Advantage+ com US$ 75 bilhões de run-rate no 2T26 contra US$ 20 bilhões no 4T24; AI Max com mais de 500 mil anunciantes e ganho médio de 15% em conversões; Ads Agent da Amazon com 6% menos custo por aquisição; Ask Advisor e Asset Studio no Google Marketing Live 2026. Três plataformas, uma mesma tese: o humano sai da operação. Meta, Alphabet e Amazon, 2T26 (T1, fornecedor).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Sinal forte Anúncio nativo dentro da resposta de IA

    ChatGPT Ads com US$ 1 bilhão de run-rate em menos de 200 dias, mais de 40 países, Brasil desde agosto de 2026; 26% das respostas gratuitas do ChatGPT já trazem um patrocinado (Similarweb, T2); Sponsored Prompts da Amazon dentro do Alexa+; anúncios no AI Mode do Google. A conversa virou inventário. OpenAI e Amazon, 2026 (T1, fornecedor).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Sinal forte Busca sem clique passa de dois terços

    68,01% das buscas no Google nos EUA terminam sem clique entre janeiro e abril de 2026, contra 60,45% em 2024 e 45% em 2016. O Pew mediu 8% de clique com resumo de IA contra 15% sem. SparkToro sobre painel Similarweb e Pew Research Center (T1/T2).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta (eua), média (br)
  • Sinal forte Internet ultrapassa a TV somada no Brasil

    No primeiro semestre de 2026 a internet ficou com 40,7% da verba intermediada por agências contra 40,6% da TV somada, aberta mais paga. Contra a TV aberta isolada a virada veio antes: 38,3% x 31,3% no 1T26. Ressalva: o painel cobre só o que passa por agência. Cenp-Meios via Meio e Mensagem (T1/T2).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta (com ressalva de painel)
  • Sinal forte Retail media cresce três vezes o ritmo do digital no Brasil

    R$ 4,8 bilhões em 2025, alta de 37%, contra 12,7% do digital como um todo. O Mercado Livre ultrapassou 10% do mercado de publicidade digital da América Latina no 2T26 e o Magalu Ads cresceu 54% num trimestre em que o GMV de marketplace caiu 8%. A mídia vai para onde a transação prova resultado. IAB Brasil, MELI e Magazine Luiza (T1).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Sinal forte Concentração de inventário em poucos vendedores

    Alphabet, Amazon e Meta detinham 57,6% da receita de anúncios fora da China em 2025, e as dez maiores concentram 84,1% da receita de internet nos EUA. A WARC projeta 60% em 2030. Toda negociação vira negociação de termos, não de preço. WPP Media, IAB/PwC e WARC (T1).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Sinal forte Perfilamento de menores proibido no Brasil

    ECA Digital (Lei 15.211/2025) em vigor desde 17 de março de 2026, regulamentado pelo Decreto 12.880/2026: proíbe perfilamento de menores para publicidade, veda análise emocional e RA ou RV para direcionar anúncio, exige verificação de idade confiável e prevê multa de até 10% do faturamento no Brasil, com teto de R$ 50 milhões. Agência Gov e ANPD (T1).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Sinal forte Anúncio pago com presunção de culpa da plataforma

    O STF consolidou em 17 de junho de 2026 que anúncio pago, impulsionamento e redes de disseminação inorgânica carregam presunção relativa de culpa da plataforma, com responsabilidade solidária e 60 dias para implementar deveres de cuidado. O custo de errar deixou de ser reputacional e virou financeiro e solidário. STF via Mattos Filho (T1).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança alta
  • Emergente Publishers bloqueiam e passam a cobrar de robô

    A Cloudflare lançou pay per crawl em 2025 e, desde 15 de setembro de 2026, bloqueia por padrão rastreadores de IA em páginas com anúncio, com a justificativa de que a maioria do tráfego já não é humano. Publishers cogitam sair do Google. Cloudflare e Nieman Lab (T1/T2).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança média-alta
  • Emergente Trilhos de pagamento por agente em produção

    Universal Commerce Protocol do Google com Walmart, Target, Shopify e Etsy em janeiro de 2026; Visa com pagamentos por agente em produção com mais de 30 emissores europeus em julho de 2026; Mastercard Agent Pay. A infraestrutura está pronta antes da demanda. Google, Visa e Mastercard (T1/T2).

    Janela 2027 · impacto alto · confiança média
  • Emergente Anúncio no WhatsApp escala no país onde 93,9% usam

    Status e canais promovidos com rollout global concluído em fevereiro de 2026, com o Brasil entre os primeiros mercados e a União Europeia só em março. O último espaço brasileiro sem anúncio nativo passou a ter, e a fronteira entre mensagem, atendimento e mídia se dissolve. Meta, relatório de conformidade ao DMA (T1, fornecedor).

    Janela 2026 · impacto alto · confiança média
  • Emergente Checkout dentro do chat recua

    A OpenAI descontinuou o Instant Checkout em março de 2026 e o Walmart reportou conversão três vezes menor dentro do chat do que no clique para o site. A eMarketer projeta apenas 1,5% do e-commerce americano via plataformas de IA em 2026. É o contra-sinal que segura o eixo dos agentes. Modern Retail, Forrester e eMarketer (T2).

    Janela 2026 · impacto médio · confiança média (contra-sinal)
  • Emergente Varejista monetiza audiência mesmo com GMV caindo

    Magalu Ads cresceu 54% num trimestre em que o GMV de marketplace caiu 8%, e a satisfação do anunciante com retail media caiu de 77,8% para 54,7% por falta de mensuração padronizada. O varejista tem a caixa registradora, logo a única mensuração que sobrevive ao fim do clique — e ainda não sabe embalar isso. Magazine Luiza (T1) e eMarketer via Samais (T2).

    Janela 2026 · impacto médio · confiança alta
  • Fraco Publicidade endereçada a agentes

    Em 1º de agosto de 2026, Time e Mobian anunciaram anúncios em markdown, inseridos na versão das páginas que os agentes de IA leem, para que o agente incorpore a mensagem na resposta. Dez dias depois a Perplexity bloqueou o formato, chamou de publicidade enganosa e avisou que publishers que usarem podem perder visibilidade. É o primeiro conflito público sobre quem pode falar com a máquina que fala com o consumidor. AdTechRadar (T2).

    Janela 2027 · impacto alto · confiança baixa (quem vence), alta (que existe)
  • Fraco Navegador com agente embutido bloqueia anúncio por padrão

    O Comet, da Perplexity, bloqueia anúncio por padrão; o Atlas, da OpenAI, e o Gemini dentro do Chrome levam a pessoa a delegar a navegação. Publishers chamam de problema de 3% e o CEO do IAB Tech Lab alerta que o navegador com agente pode ser um cavalo de Troia para rastrear você pelo browser. Pequeno hoje, e exatamente do tamanho que o AI Overviews tinha antes. Digiday (T2).

    Janela 2028 · impacto alto · confiança baixa
  • Emergente Consumidor não detecta anúncio conversacional

    O estudo Ads that Talk Back, com 179 participantes, mostra que a pessoa não identifica o anúncio dentro de uma resposta conversacional como identifica um banner. Tang et al., UbiComp 2025 (T1, acadêmico, amostra pequena).

    Janela 2027 · impacto médio · confiança média
  • Emergente LLM recomenda o incumbente, e uma estrela a mais vira 50% das recomendações

    Com especificações iguais, o modelo recomenda 100% das vezes a marca incumbente; e uma avaliação uma estrela acima move cerca de metade das recomendações. Chu e Hou, jun/2026, arXiv (T1, acadêmico). Se isso se sustentar, a disputa pelo agente é disputa por reputação auditável, não por lance.

    Janela 2028 · impacto alto · confiança média
  • Emergente Rejeição ao anúncio sintético cresce e diverge do executivo

    78% dos consumidores afirmam que a IA torna os anúncios menos autênticos e 63% dizem ter menos chance de comprar de marcas que usam anúncios gerados por IA (Harris Poll e 4As, Cannes 2026, T2). A Gen Z é a mais hostil: 39% negativa, contra 20% dos millennials. O gap entre o que o executivo acha que o consumidor sente e o que ele sente cresceu 37 pontos. IAB, The AI Ad Gap Widens (T2).

    Janela 2027 · impacto médio · confiança média-alta
  • Emergente Precificação explícita da atenção

    Sem anúncios na Meta europeia custa 5,99 euros por mês; o Prime Video passou a cobrar R$ 10 a mais para tirar anúncios no Brasil; a Netflix tem 35 milhões de usuários mensais no plano com anúncios só no Brasil, com 60% dos novos assinantes escolhendo esse plano, e mira US$ 9 bilhões em anúncios até 2030. O consumidor está dizendo, com dinheiro, quanto vale a atenção dele: entre R$ 10 e R$ 40 por mês por serviço. Meta, Netflix e Prime Video (T1/T2).

    Janela 2027 · impacto médio · confiança alta
  • Emergente Creator como o formato humano que mais cresce

    A verba deliberada em creators nos EUA chegou a US$ 37 bilhões em 2025, crescendo quatro vezes mais rápido que a mídia total, e o IAB projeta US$ 43,9 bilhões em 2026. No Brasil, um censo com 4.500 respondentes estima 14 milhões de influenciadores, 6,7% da população, dos quais só 9% vivem exclusivamente de conteúdo. Mas 77% dos marketers pretendem desviar verba de creators tradicionais para conteúdo de creator gerado por IA. IAB e Meio e Mensagem (T1/T2).

    Janela 2027 · impacto médio · confiança média
  • Emergente Novas superfícies de anúncio saem do laboratório

    A EssilorLuxottica vendeu mais de 7 milhões de óculos Meta em 2025, o triplo do ano anterior, e escala capacidade para 20 milhões de unidades por ano; a Meta passou a usar dados das conversas com a Meta AI e dos óculos para segmentar desde dezembro de 2025, sem opt-out fora da Europa. A TV 3.0 estreou no Brasil em 11 de junho de 2026 com promessa de publicidade endereçável, e mais de 80 milhões de adultos assistem YouTube na TV conectada. EssilorLuxottica, TechCrunch e Kantar Ibope (T1/T2).

    Janela 2028 · impacto médio · confiança média
  • Wild card Wild card: lei cria dever de lealdade do agente ao usuário

    Precedente: artigo 50 do AI Act, regras de consumidor e o debate sobre neutralidade de recomendação. Se um grande mercado obrigar o agente que compra em nome de uma pessoa a dever lealdade a ela, e não a quem o paga, a influência paga dentro da decisão vira ilegal ou rigidamente separada — e o eixo inteiro se desloca. Hoje não existe essa regra em nenhuma jurisdição.

    Janela 2030 · impacto alto · confiança baixa probabilidade, impacto muito alto
  • Wild card Wild card: agente do usuário bloqueia anúncio da plataforma e é proibido por tribunal

    Precedente: liminar de março de 2026 no caso Amazon contra o Comet, da Perplexity. Se o bloqueio a agentes externos for consolidado em jurisprudência, o agente do usuário morre antes de nascer e o eixo trava no agente da plataforma. GeekWire (T2).

    Janela 2030 · impacto alto · confiança baixa probabilidade, impacto alto
  • Wild card Wild card: DMA brasileiro impõe interoperabilidade a Meta, Google e Mercado Livre

    O PL 4.675/2025, o DMA brasileiro, daria ao Cade poder sobre plataformas com receita acima de R$ 5 bilhões no país e aguarda distribuição, sem calendário. Se sair com portabilidade e proibição de autopreferência, o Brasil abre espaço para agentes domésticos com Pix e bancos como espinha, e a dependência de plataforma estrangeira cai pela primeira vez. Câmara dos Deputados (T1).

    Janela 2030 · impacto alto · confiança baixa probabilidade, impacto alto no br
  • Wild card Wild card: escândalo de deepfake publicitário em escala derruba a confiança de todo anúncio sintético

    Precedente: 78% já dizem que IA torna o anúncio menos autêntico, e o Conar decidiu em maio de 2026 não obrigar rótulo de conteúdo gerado por IA, deixando a autorregulação atrás da Europa. Um caso grande de fraude com rosto sintético antecipa a rotulagem obrigatória e reprecifica o criativo humano de uma vez. Conar (T1).

    Janela 2029 · impacto médio · confiança baixa probabilidade, impacto alto
  • Wild card Wild card: banimento etário generalizado zera o inventário jovem em social

    A Austrália baniu redes sociais para menores de 16 anos em dezembro de 2025, e cerca de 15 jurisdições estão em movimento, incluindo França, Indonésia, Turquia, Dinamarca e Reino Unido. Adesão fraca por enquanto: mais de 80% dos adolescentes australianos seguiam usando redes três meses depois. Se escalar, a audiência mais valiosa do futuro sai do inventário por lei. TechCrunch e Al Jazeera (T2).

    Janela 2029 · impacto médio · confiança baixa probabilidade, impacto médio-alto

O que os números mostram

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Brasil: share da internet no investimento das agências (Cenp-Meios).

  • 201817,7%
  • 202133,0%
  • 202338,2%
  • 202540,6%
  • 1S2640,7%

Eixo vertical de 0 a 45% do total. A internet mais que dobrou de share em oito anos e vive um platô em torno de 40% desde 2024. A leitura que importa: o próximo salto não vem de migração de TV, vem de inventário novo — retail media, CTV e resposta de IA. Ressalva metodológica: o painel do Cenp cobre só o que passa por agência (R$ 28,9 bilhões em 2025, 330 agências auditadas pela KPMG), e o digital comprado direto na plataforma fica de fora, o que subestima a internet. A virada real veio antes; a oficial veio agora. Fontes: Cenp-Meios (T1), via Meio & Mensagem, Tela Viva e Gabriel Ishida (T2).

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PASSADO · COMO O ANÚNCIO CHEGOU ATÉ AQUI

Três eras em dez anos, e cada uma mudou quem decide

  1. 2015 a 2019A era do leilão

    Programática e duopólio. Google e Meta transformaram a compra de mídia num leilão em tempo real e o planejador de mídia num operador de plataforma. No Brasil, a internet respondia por 17,7% do investimento das agências do painel Cenp em 2018 e a TV aberta por cerca de 60%. A promessa da era era mensuração: cada real com atribuição. O custo escondido era dependência: o dado do cliente passou a morar na plataforma.

  2. 2020 a 2023A pandemia e o cerco à identidade

    O investimento das agências saltou de R$ 14,2 bilhões em 2020 para R$ 19,7 bilhões em 2021, com a internet crescendo 74,2% em um ano. No mesmo período a identidade digital começou a ser cercada: a LGPD entrou em vigor em 2020, a Apple lançou o App Tracking Transparency em 2021 e a Meta estimou o impacto em cerca de US$ 10 bilhões de receita em 2022. A resposta das plataformas foi previsível e definidora: se o dado individual some, a máquina infere. Advantage+ e Performance Max nasceram como resposta ao cerco à identidade, não como visão de produto. É esta a origem do piloto automático que hoje domina a mídia de performance.

  3. 2024 a 2026A virada de leitor

    Três coisas mudaram de vez. A internet ultrapassou a TV aberta no Brasil entre janeiro e setembro de 2024 e, no primeiro semestre de 2026, ultrapassou a TV somada: 40,7% contra 40,6%. A IA generativa saiu do laboratório e entrou no fluxo de compra: a Meta declarou ao WSJ em junho de 2025 a meta de anúncio totalmente criado por IA até o fim de 2026; o Google levou anúncios ao AI Overviews e ao AI Mode em maio de 2025; a Amazon começou a cobrar por anúncios dentro do Rufus em março de 2026; a OpenAI ligou anúncios no ChatGPT em fevereiro de 2026. E o próprio destinatário começou a mudar. Em 2025, a busca com tela de resultado azul deixou de ser o formato número um dos EUA: social ultrapassou search pela primeira vez em 30 anos de relatório IAB/PwC, US$ 117,7 bilhões contra US$ 114,2 bilhões.

As forças por trás, em 6 lentes

Atenção saturada, confiança em disputa

O tempo humano parou de crescer e o inventário continua crescendo: o usuário médio global passa 18h36 por semana em feeds sociais e de vídeo, e a própria WPP Media cita o platô de tempo como o principal freio ao crescimento de social, que cai para um dígito a partir de 2027. O Brasil está no extremo: 7h39 por dia online e 4h10 em redes, o quarto maior tempo do mundo. O sinal recente está na confiança: 57% dos consumidores globais se dizem receptivos a anúncios, o maior nível desde 2020 (Kantar, T1), mas 78% afirmam que a IA torna os anúncios menos autênticos (Harris e 4As, T2). O que muda para o anunciante: a atenção não vai ficar mais barata, e a economia que a IA traz na produção pode ser devolvida em rejeição.

A máquina compra, cria e agora responde

O driver de fundo é a substituição do leilão por inferência. A Meta descreveu o Generative Recommender como um sistema baseado em LLM que raciocina sobre o conteúdo do anúncio e as preferências do usuário juntos; o Google levou o AI Max a mais de 500 mil anunciantes; a Amazon gera campanhas de conceito à conclusão. O sinal recente é a resposta de IA como superfície: AI Overviews com 2,5 bilhões de usuários mensais, AI Mode com mais de 1 bilhão, ChatGPT com anúncios em mais de 40 países. A terceira camada é a das superfícies novas: 7 milhões de óculos Meta vendidos em 2025, TV 3.0 no Brasil, WhatsApp Status com anúncio. O leilão de anúncios virou um problema de inferência de modelo de linguagem, e o criativo virou variável otimizável, não peça de autor.

O dinheiro migra para onde a transação está

O mercado global cruzou US$ 1,14 trilhão em 2025 e deve crescer 8,9% em 2026 pela WPP Media, ou 5,1% pela Dentsu com escopo líquido mais estreito — as bases diferem e as duas são projeção de fornecedor. O Brasil foi o mercado de maior crescimento entre os 15 maiores em 2025, com alta de 16,1% e US$ 26,8 bilhões. O driver de fundo é o deslocamento da verba para superfícies de transação: commerce media somou US$ 178 bilhões globais em 2025 e superou a TV total pela primeira vez; no Brasil, retail media chegou a R$ 4,8 bilhões, três vezes o ritmo do digital. O segundo driver é o capex de IA como pressão por monetização: Meta guia US$ 130 a 145 bilhões de capex em 2026, Amazon US$ 220 bilhões, e a OpenAI mostra a investidores uma projeção de US$ 100 bilhões em anúncios até 2030. Quem construiu o modelo precisa vender anúncio para pagar a conta.

A variável que ainda não pesa

No sentido estrito, ambiental ainda não move a agulha da publicidade digital. O painel de 60 especialistas da WPP Media para 2030 registrou o preço voltando a superar a sustentabilidade como critério de compra. O que existe é um sinal fraco e indireto: o custo energético da inferência de IA entra no capex das plataformas e, por tabela, no CPM. A Meta viu o fluxo de caixa livre cair 91% num trimestre enquanto elevava o capex de IA. Confiança baixa, horizonte H3. O report registra a dimensão e não infla o que o dado não sustenta.

O anúncio virou o ponto de intervenção

Esta é a segunda maior incerteza do estudo e por isso alimenta o eixo vertical. No Brasil, quatro movimentos já estão em vigor: ECA Digital desde março de 2026; ANPD com publicidade comportamental como prioridade de fiscalização 2026-2027; STF com presunção relativa de culpa em anúncio pago desde junho de 2026; e bets com alerta obrigatório em 10% do espaço. O que não anda é tão revelador quanto o que anda: o PL 2338 da lei de IA está parado há 16 meses e foi empurrado para depois das eleições de outubro, e o PL 4.675, o DMA brasileiro, aguarda distribuição. Na Europa, multa de 200 milhões de euros à Meta pelo consentir ou pagar, e rotulagem obrigatória de sintético desde agosto de 2026. Nos EUA, o Judiciário decidiu em setembro de 2026 que o Google não precisa se desfazer do AdX, impondo apenas remédios comportamentais. Leitura: governança de mídia sobe para o jurídico e para o board.

O contrato de tolerância está sendo renegociado

A publicidade é, no fundo, um contrato implícito: você aceita o anúncio, o conteúdo é grátis. Esse contrato está sendo reescrito em três frentes. Primeira, o preço explícito: o consumidor já diz com dinheiro quanto vale a atenção dele, entre R$ 10 e R$ 40 por mês por serviço. Segunda, o sintético: 44% se dizem desconfortáveis com anúncio gerado por IA e a Gen Z é 39% negativa, contra 20% dos millennials. Terceira, o descolamento entre indústria e público: 82% dos executivos veem anúncios com IA de forma positiva contra 45% dos consumidores, um gap de 37 pontos que cresceu. E os consumidores preferem anúncio na Amazon, no Snapchat, no TikTok, na Twitch e no Prime Video, enquanto os marketers preferem YouTube, Instagram, Google, Netflix e Spotify. Nenhum nome aparece nas duas listas: a indústria compra o que gosta de comprar, não o que o público tolera.

O que já está em movimento

  • Megatendência em cursoAutomação da compra e do criativo pelas plataformas

    Evidência principal (fonte). Advantage+ US$ 75 bi de run-rate; AI Max com 500 mil anunciantes; Mercado Ads +73% via IA de sellers (T1) Posição na curva. Aceleração O que significa. Operação vira commodity; o valor migra para o que entra na máquina: produto, dado e marca

  • MegatendênciaConcentração de inventário em poucos vendedores

    Evidência principal (fonte). Big 3 com 57,6% fora da China; top 10 com 84,1% da receita de internet nos EUA; 60% em 2030 (T1) Posição na curva. Saturação lenta O que significa. O anunciante negocia com oligopólio; a alavanca é dado próprio, não volume de mídia

  • MegatendênciaMigração da verba para superfícies de transação

    Evidência principal (fonte). Commerce media superou a TV global; retail media BR +37%; MELI acima de 10% da LatAm (T1/T2) Posição na curva. Aceleração O que significa. A mídia vai para onde a transação prova resultado, porque é onde a mensuração ainda funciona

  • MegatendênciaVídeo como formato universal

    Evidência principal (fonte). 49% do digital brasileiro; streaming igual a 48,6% do uso de TV nos EUA; YouTube com 13,8% (T1) Posição na curva. Aceleração O que significa. Vídeo premium conectado é o último inventário onde um humano de fato assiste

  • Tendência, subindo rápidoAnúncio dentro da resposta de IA

    Evidência principal (fonte). ChatGPT US$ 1 bi de run-rate; 26% das respostas gratuitas com anúncio; busca generativa US$ 5,1 bi (T1/T2) Posição na curva. Aceleração inicial O que significa. O funil deixa de ter página: o anúncio disputa a resposta, não o clique

  • TendênciaColapso do tráfego da web aberta

    Evidência principal (fonte). 68% das buscas sem clique; Pew mediu 8% contra 15%; Cloudflare bloqueia crawlers por padrão (T1/T2) Posição na curva. Início de aceleração O que significa. O modelo conteúdo grátis pago por olhos humanos perde os olhos

  • Tendência, adoção lentaDelegação da compra a agentes

    Evidência principal (fonte). Rufus com 250 mi de usuários; UCP, Visa e Mastercard em produção; Instant Checkout cancelado; 1,5% do e-commerce (T1/T2) Posição na curva. Adoção incipiente, infraestrutura pronta O que significa. É o driver de maior impacto e maior incerteza: vira o eixo horizontal dos cenários

  • Tendência, acelerandoCerco regulatório ao anúncio comportamental

    Evidência principal (fonte). ECA Digital; ANPD; STF; DMA europeu; 15 jurisdições com banimento etário (T1) Posição na curva. Aceleração O que significa. Perfilar vira atividade licenciada; conformidade passa a ser parte do custo de mídia

  • Tendência emergenteRejeição ao anúncio sintético

    Evidência principal (fonte). Harris 78%; IAB Gen Z 39% negativa; Ipsos 63% menos confiança em IA com anúncio (T2) Posição na curva. Aceleração O que significa. Confiança vira métrica de mídia; rótulo vira obrigação antes de virar lei

  • Tendência emergentePrecificação explícita da atenção

    Evidência principal (fonte). Meta 5,99 euros; Prime Video +R$ 10; Netflix com 60% dos novos escolhendo o plano com anúncio (T1/T2) Posição na curva. Aceleração O que significa. O piso do que a plataforma vai cobrar para entregar a mesma atenção está publicado

  • Tendência emergenteCreator como formato humano premium

    Evidência principal (fonte). US$ 37 bi nos EUA em 2025, +26%; 14 milhões de creators no BR, 9% vivendo disso (T1/T2) Posição na curva. Aceleração O que significa. O rosto humano vira ativo escasso, e a própria indústria já tenta sintetizar o rosto

  • SinalAnúncio em mensageria no Brasil

    Evidência principal (fonte). WhatsApp Status e canais com rollout global concluído em fev/2026; 93,9% de penetração (T1/T2) Posição na curva. Adoção inicial O que significa. O último espaço brasileiro sem anúncio nativo passa a ter

  • Sinal (aposta)Novas superfícies: óculos, TV 3.0, carro

    Evidência principal (fonte). 7 mi de óculos Meta em 2025; TV 3.0 estreou em jun/2026 sem base instalada (T1/T2) Posição na curva. Adoção incipiente O que significa. Superfície nova cresce inventário sem crescer atenção: o CPM do feed comum cai

  • SinalPublicidade endereçada a agentes

    Evidência principal (fonte). Time e Mobian com anúncios em markdown (ago/2026); Perplexity bloqueou dez dias depois (T2) Posição na curva. Adoção incipiente O que significa. Nasce a disputa por quem pode falar com a máquina que fala com o consumidor

  • SinalIdade mínima para redes sociais

    Evidência principal (fonte). Austrália em vigor desde dez/2025; ECA Digital no BR; 15 jurisdições em movimento (T1/T2) Posição na curva. Adoção inicial O que significa. A audiência mais valiosa do futuro sai do inventário por lei

3 · Monte seu futuro

O médio prazo não se decide entre mais IA e menos IA. Decide-se entre quem lê e quem manda.

As duas incertezas que sobrevivem a 2030 são outras que as do debate público. A primeira é quem lê o anúncio: o humano no feed, o agente da plataforma ou o agente do usuário — e isso é uma reta de três degraus, não uma chave de dois estados. A segunda é o regime: o que a máquina pode ser paga para fazer, e com que dado. Cruzando as duas, saem seis mundos de médio prazo, e cada um deles é bom, tolerável ou a evitar para quem paga a mídia.

O regime
Quem lê o anúncio

Regime = o que a máquina pode ser paga para fazer, e com que dado

Regime duroRegime frouxo Humano no feedAgente da plataformaAgente do usuário

H1 · CURTO PRAZO · 2026 A 2030

Piloto Automático

★★★☆☆Tolerável, com uma condição

A máquina faz e compra o anúncio; o humano ainda vê. A publicidade digital cresce em dinheiro enquanto perde operadores, cliques e consentimento.

2030Marina é CMO de uma rede de farmácias com 900 lojas. Às 8h, o painel mostra que 68% do orçamento digital do mês rodou em três caixas-pretas: a da Meta, a do Google e a do Mercado Ads. Ela não aprovou um único criativo; aprovou um espaço criativo com regras de marca, e a plataforma gerou 4 mil variações na semana. Às 10h, o jurídico entra na reunião de mídia, que agora tem pauta fixa: verificação de idade da campanha de vitaminas infantis e o alerta obrigatório na parceria com um app de apostas que patrocina o time da cidade. Às 14h, o relatório de presença em IA mostra que a marca aparece em 31% das respostas do ChatGPT sobre a melhor farmácia para entrega em Curitiba, contra 52% do concorrente que tem mais avaliações verificadas. Ninguém no time sabe explicar exatamente por quê. Às 18h, a agência apresenta a proposta de renovação: menos gente, mais operação de modelos, fee 30% menor. Marina aceita. À noite, no sofá, ela vê um anúncio da própria rede no YouTube da TV da sala. Foi a máquina que decidiu que ela era o público.
Movimento-chave
Usar os 24 meses para construir o que a máquina não entrega

Quem ganha

  • O anunciante pequeno: o custo de produção despenca e o time enxuto opera escala que antes exigia agência grande. Nove milhões de pequenas empresas já usam ferramentas de criativo por IA da Meta.
  • Quem já tem dado próprio e produto bem estruturado: a mesma máquina trabalha melhor para quem alimenta melhor.
  • Varejistas com retail media: dobram participação porque têm a única mensuração que sobrevive ao fim do clique.
  • Vídeo premium e CTV: o inventário onde um humano de fato assiste ganha valor relativo.

Quem perde

  • A agência de operação de mídia: o fee cai e migra para consultoria de dado. Irrelevância até 2028 para quem não escolher a espécie.
  • O publisher que vive de tráfego de busca: 68% sem clique e Cloudflare bloqueando crawlers por padrão.
  • O anunciante que confunde mídia com marca: todo concorrente tem a mesma máquina, então a homogeneização criativa é estrutural.
  • O criativo que vivia de peça, não de sistema: vira variável otimizável.

Sinais de que vamos para cá

  • Advantage+ e equivalentes acima de 50% da receita de anúncios da Meta e do Google até 2028.
  • Anúncios em AI Mode e ChatGPT em português com métricas de conversão publicadas por plataforma.
  • Retail media brasileiro acima de 15% do digital no Digital AdSpend do IAB.
  • Fee médio de agência de mídia caindo mais de 20% em dois ciclos de renovação.
  • Primeira multa da ANPD por publicidade comportamental ou por perfilamento de menor.
Como chegamos lá

Entre 2026 e 2030 a maior parte da verba de performance passa a rodar em sistemas fechados de ponta a ponta, o anúncio entra na resposta de IA sem que o agente de compra decole, e o Brasil vive isso em modo feed-first. Premissas que precisam ser verdade: a Meta cumpre a meta declarada de anúncio totalmente automatizado; o Google segue retirando a palavra-chave em favor da inferência de intenção; o ChatGPT e o AI Mode escalam anúncio no Brasil sem colapso de confiança; a delegação da compra fica em um dígito do e-commerce; e a regulação brasileira segue fiscalizando por peça (ECA Digital, bets, STF) sem lei de IA nem DMA nacional. O caminho: 2026, o Advantage+ passa de um terço da receita da Meta e os anúncios no ChatGPT chegam ao Brasil em agosto. 2027, o Google ativa formatos de AI Mode em português, a Amazon e o Mercado Livre cobram por posição nas sugestões dos seus assistentes, e o WhatsApp Status vira linha obrigatória nos planos brasileiros. 2028, a busca generativa chega a US$ 32 bilhões globais, as holdings terminam o corte de headcount e passam a vender operação de IA como serviço, e o AI Act europeu obriga rótulo de conteúdo sintético. 2029 e 2030, de 60% a 70% da verba digital de performance no Brasil roda em automação de plataforma, a TV 3.0 ainda não tem base instalada relevante, e o agente de compra existe mas converte abaixo do clique para o site.

A leitura do estudo

Tolerável, com uma condição. É o cenário mais provável do curto prazo e o menos confortável, porque entrega eficiência em troca de dependência. Prêmio dimensionado: o digital brasileiro em 2030 fica entre R$ 69 e R$ 75 bilhões, aplicando de 10% a 12% ao ano sobre os R$ 42,7 bilhões de 2025 (cálculo próprio; o IAB registrou 12,7% em 2025 e 8% em 2024); retail media entre R$ 15 e R$ 18 bilhões. Para um anunciante com R$ 100 milhões de digital, de R$ 60 a R$ 70 milhões rodam em automação de plataforma em 2030 se a curva da Meta se repetir no mercado. Implicação de margem: cada ponto de take rate adicional das plataformas sobre esse volume é dinheiro que sai da sua margem, e a única defesa é o dado próprio que faz o modelo trabalhar melhor para a sua marca do que para a média do leilão. O movimento: aceitar a automação onde ela é inevitável e usar os próximos 24 meses para construir o que ela não entrega sozinha.

H2 · HUMANO NO FEED + REGIME FROUXO

Feed Infinito

★★☆☆☆Tolerável, e o mais difícil de vencer

O humano continua decidindo, o dado continua aberto, e a única coisa que muda é a tela. É o Piloto Automático esticado por mais uma década.

2036Dona Cida, 62 anos, Recife, acorda e a TV da sala já mostra, no canto, uma oferta do supermercado a três quadras, com o preço do arroz que ela comprou semana passada. Não foi ela que pediu: foi o histórico de compras do app cruzado com a audiência da TV 3.0. No WhatsApp, o Status da vizinha aparece entre um anúncio de plano de saúde e um vídeo de uma influenciadora que ela acha que é gente e não é. À tarde, ela pergunta ao assistente do celular qual remédio de pressão é mais barato; a resposta traz três opções e uma está marcada como patrocinado, em letra pequena. Ela clica na patrocinada. À noite, o neto de 15 anos assiste a um streamer no YouTube da TV; o anúncio que aparece para ele é diferente do que apareceu para ela, e ninguém em casa acha isso estranho.
Movimento-chave
Comprar atenção premium por contrato e tratar o feed como commodity

Quem ganha

  • Previsibilidade: o playbook de 2026 continua valendo, e quem tem bom dado e boa automação escala.
  • Quem controla telas grandes com dado: Globo, YouTube, Netflix.
  • O creator com audiência fiel, porque vira a única atenção que não é sintética.
  • O anunciante grande, que tem caixa para o lance.

Quem perde

  • A dependência de quatro plataformas vira estrutural e a diferenciação por criativo desaparece.
  • O consumidor cansa: já em 2025 só 14% dos profissionais achavam os anúncios inovadores, e o pagamento para não ver anúncio se generaliza, reduzindo o alcance da mídia paga entre as classes A e B.
  • As marcas de segundo escalão, esmagadas pelo leilão.
  • O publisher de texto, que não sobrevive ao mundo sem clique.

Sinais de que vamos para cá

  • Compras via agentes de IA abaixo de 5% do e-commerce brasileiro em 2032.
  • PL 4.675 arquivado ou aprovado sem interoperabilidade obrigatória.
  • Consumo de vídeo em telas grandes acima de 60% do tempo de vídeo no Brasil.
  • Anúncio em óculos ou em carro com formato padronizado pelo IAB.
  • Tribunais mantendo bloqueio a agentes externos, como no caso Amazon contra Comet.
Como chegamos lá

O feed migra para a TV, para o Status, para os óculos e para a resposta do assistente, mas o modelo é o mesmo: leilão de atenção para uma pessoa que escolhe. Premissas: a delegação da compra trava na desconfiança do consumidor e na resistência dos varejistas, que bloqueiam agentes externos; o PL 2338 e o PL 4.675 saem em versão branda ou não saem; e a rejeição ao sintético é contornada por IA que parece humana. É o H2 menos, capturado pelo sistema velho. O caminho: 2030 a 2033, os agentes de compra ficam presos a compras de reposição de baixo valor, e o consumidor, que já em 2026 dizia preferir pesquisar na IA e comprar no site, consolida o hábito. 2033 a 2036, o inventário cresce por nova tela, não por novo modelo: óculos com display, TV 3.0 finalmente com base instalada, anúncios em jogos. 2036 a 2040, a concentração se aprofunda; no Brasil, Meta, Google, Mercado Livre e Globo somam mais de 80% do digital, e a regulação fiscaliza por peça enquanto o mercado aprende a viver com isso.

A leitura do estudo

Tolerável. É o mundo mais fácil de operar e o mais difícil de vencer, porque todo mundo tem a mesma máquina. Prêmio dimensionado: o digital brasileiro em 2035 na ordem de R$ 100 a 120 bilhões, aplicando de 7% a 9% ao ano sobre a faixa de 2030 (cálculo próprio, ritmo desacelerando com a saturação de tempo). A busca generativa fica em 10% a 15% desse total, proporção calibrada pela projeção da WPP Media de US$ 100 bilhões em 2030 num mercado de US$ 1,3 trilhão (T1, fornecedor). Implicação de margem: o take rate das plataformas cresce devagar e de forma contínua; a defesa é o dado próprio e a compra de atenção premium por contrato, fora do leilão. O movimento: tratar o feed como commodity, concentrar a diferenciação em atenção premium e creator, e investir em dado próprio para que a automação trabalhe melhor para a marca do que para a média.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: agentes abaixo de 5% do e-commerce em 2032, PL 4.675 arquivado, regulação branda. Faça: tratar o feed como commodity, concentrar a diferenciação em atenção premium e creator, e usar dado próprio para vencer no leilão em vez de fugir dele. Não é hora de investir pesado em infraestrutura de agente.

H2 · HUMANO NO FEED + REGIME DURO

Contexto Rei

★★★★☆Desejável, com pré-condição pesada

O humano continua decidindo, mas o dado ficou cercado. O anúncio volta a ser vendido por contexto e por relação: onde a pessoa está, o que ela está vendo, o que já comprou da marca.

2037Rafael dirige uma cooperativa de crédito em Chapecó. A verba de mídia dele em 2037 não compra mulheres de 35 a 44 interessadas em finanças. Compra contexto e relação: a transmissão do jogo do time local na Globo, com anúncio endereçado por região e não por pessoa; o painel digital na entrada do supermercado do atacarejo parceiro, que só mostra ofertas quando o cliente da cooperativa aproxima o celular e consente; o retail media do atacarejo, que conhece o comportamento de compra dentro da própria loja; e a newsletter da cooperativa, com 40% de abertura, que vale mais que qualquer impulsionamento. O relatório de mídia dele tem uma coluna nova, base consentida, que o conselho acompanha como acompanha inadimplência.
Movimento-chave
Tratar dado consentido como ativo de balanço, a partir de agora

Quem ganha

  • Margem protegida para quem tem relação direta: menos dependência de caixa-preta.
  • Confiança do consumidor como ativo mensurável, e menos risco jurídico.
  • Varejistas e apps com transação: Mercado Livre, iFood, bancos e fintechs vendendo mídia.
  • Veículos com audiência logada: Globo, Netflix, YouTube. A Globo cresceu 15% em publicidade em 2025, para R$ 12,5 bilhões, porque tem as três coisas.
  • A agência que sabe negociar contexto e contrato volta a ter valor.

Quem perde

  • O custo de aquisição sobe para quem não tem base própria.
  • A escala do feed fica mais cara e menos precisa.
  • A marca pequena sem relação direta sofre.
  • A burocracia do consentimento vira atrito operacional.
  • Os intermediários de dado de terceiros desaparecem, e a Meta no modelo atual perde (ela já guia o vento contrário europeu nas projeções).

Sinais de que vamos para cá

  • ANPD aplica sanção com valor acima de R$ 10 milhões por publicidade comportamental.
  • PL 4.675 aprovado com portabilidade e interoperabilidade obrigatórias.
  • Meta lança no Brasil o modelo europeu de anúncio menos personalizado.
  • Retail media acima de 20% do digital no Digital AdSpend do IAB.
  • Conar ou lei exigindo rótulo de anúncio gerado por IA.
Como chegamos lá

Consentimento real, verificação de idade universal, interoperabilidade e responsabilidade por anúncio pago viram infraestrutura obrigatória, e o perfilamento comportamental de terceiros deixa de ser a base do leilão. Premissas: o ECA Digital e a ANPD produzem jurisprudência dura até 2030; o PL 4.675 sai com portabilidade e proibição de autopreferência; a Europa exporta o padrão; e a delegação da compra não decola. É H2 mais para quem tem relação direta, H2 menos para quem só alugava dado. O caminho: 2027 a 2029, as primeiras multas da ANPD por publicidade comportamental e por perfilamento de menores; a Meta estende ao Brasil o modelo europeu de anúncio menos personalizado, que usa 90% menos dado. 2030 a 2033, o Cade ganha poder sobre plataformas de relevância sistêmica, a verificação de idade vira API padrão das lojas de app, e o rótulo de conteúdo sintético vira lei. 2034 a 2040, retail media, CTV, DOOH e mídia de contexto (esporte, notícia, cultura) absorvem a verba que saía do perfilamento, e publishers com audiência logada voltam a ser relevantes.

A leitura do estudo

Desejável, com pré-condição pesada. É o mundo em que a relação direta vale mais que o leilão, e ele recompensa quem construiu base antes. Prêmio dimensionado: retail media brasileiro na ordem de R$ 30 bilhões em 2035, mantendo 15% a 20% ao ano após 2030 (cálculo próprio), com retail media, CTV, DOOH e mídia contextual somando mais de 40% do digital. Implicação de margem: a marca que chega em 2030 com dado consentido de mais de 30% da base pode comprar mídia até 30% mais barata que o concorrente que aluga dado; a que não chega paga o prêmio inverso. O movimento: tratar dado consentido como ativo de balanço, investir em CRM e canais próprios agora, e negociar contexto (esporte, varejo, streaming) por contrato, antes de esse inventário ficar escasso.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: primeira multa relevante da ANPD por publicidade comportamental, PL 4.675 com interoperabilidade, Meta lançando no Brasil o modelo europeu de anúncio menos personalizado. Faça: acelerar CRM e canais próprios, renegociar retail media e CTV por contrato plurianual, e reduzir dependência de perfilamento de terceiros antes que ele fique inviável.

H2 · AGENTE DA PLATAFORMA + REGIME FROUXO

Leilão Invisível

★☆☆☆☆A evitar

O agente decide, o agente é da plataforma, e a posição na decisão é vendida em leilão com rótulo mínimo ou nenhum. O anúncio vira taxa de acesso à decisão.

2036Um pai em São Paulo pede ao assistente que compre o material escolar do filho. Em quatro segundos está feito: marca de caderno, mochila, tênis. Ele não viu anúncio nenhum. Mas cada item saiu de um leilão que aconteceu em 40 milissegundos, entre fabricantes que pagaram por prioridade de recomendação em decisões de pais de crianças de 8 a 12 anos com histórico de compra premium. O ECA Digital proíbe perfilar a criança; o alvo era o pai. O diretor de marketing da marca de mochila vê no painel que a taxa de vitória em decisão subiu para 34% depois que ele aumentou o lance em 12%. Ele não tem ideia de por que perde os outros 66%. A agência dele, hoje uma boutique de 20 pessoas, vende um serviço chamado auditoria de razão de perda, que consiste em tentar adivinhar o que o modelo da plataforma considera. O publisher de conteúdo educacional que costumava influenciar essa compra fechou em 2033.
Movimento-chave
Construir hoje canais que não passam pelo agente da plataforma

Quem ganha

  • Conveniência real para o consumidor e custo de transação baixo.
  • Eficiência total para o anunciante grande, com caixa para o lance.
  • Eliminação da fraude de impressão, porque não há impressão.

Quem perde

  • O preço da mídia sobe sem teto, porque é leilão sem alternativa, e a mensuração é perfeita e inauditável ao mesmo tempo: a plataforma sabe o que vendeu e ninguém de fora pode verificar.
  • O CPM morre e nasce o CPI, custo por inclusão, somado à taxa de transação: o anunciante paga duas vezes pela mesma venda.
  • A marca perde valor relativo, porque a escolha não passa por memória, passa por leilão. O estudo de Chu e Hou mostra 100% de recomendação ao incumbente com especificações iguais.
  • Diversidade de oferta cai, o criativo desaparece como fator, o publisher vira fonte de treinamento sem receita, e a marca desafiante não existe.
  • No Brasil, 90% da mídia comercial roda em quatro empresas estrangeiras e a alavanca regulatória nacional é quase nula.

Sinais de que vamos para cá

  • Conversão dentro de agente supera conversão no site em categoria relevante.
  • Amazon ou Mercado Livre publicam preço de inclusão em assistente como linha de produto.
  • Um dos quatro grandes assistentes passa a vender posição de recomendação com rótulo discreto e sem separação clara da resposta.
  • Protocolo de comércio por agente fechado domina mais de 50% das transações mediadas.
  • Legislação de transparência aprovada sem cláusula de dever de lealdade do agente.
  • Preço médio por decisão vencida sobe dois dígitos ao ano por três anos seguidos.
Como chegamos lá

A publicidade vira taxa de acesso à decisão. Premissas: os protocolos fechados de comércio por agente (UCP da Google, checkout da OpenAI, Alexa+) vencem os abertos; a regulação de transparência para em rótulo genérico e não chega ao dever de lealdade; o consumidor aceita a conveniência sem perguntar de quem é o mordomo; e a concentração passa dos 60% projetados pela WARC. O caminho: 2030, os quatro grandes assistentes fecham compra com um comando em mais de 30% das categorias de bem de consumo nos EUA; a Perplexity, que bloqueava anúncio para agente, é comprada ou abre o próprio leilão. 2032, o rótulo patrocinado migra para um ícone discreto; a Comissão Europeia abre investigação, e o processo leva seis anos. 2034, o Brasil regulamenta o Marco Legal da IA com foco em risco e transparência algorítmica, mas sem tocar em influência comercial. 2036, a primeira marca global anuncia que 70% da verba vai para posição em decisão de agente; agências viram consultorias de lance de agente. 2038 e 2040, o consumidor não sabe mais dizer se escolheu ou se foi escolhido, e não parece se importar, porque o resultado é bom o suficiente.

A leitura do estudo

A evitar, para o anunciante, para a agência e para o publisher. Prêmio dimensionado, em ordem de grandeza: se 10% a 35% das transações de e-commerce brasileiro começarem em agente (faixa McKinsey, T2) e as plataformas cobrarem taxa de inclusão somada à taxa de transação, a captura sobre a decisão pode superar o que hoje capturam sobre a atenção. A busca generativa no Brasil em 2030 fica em torno de US$ 2 bilhões, cerca de R$ 10 a 12 bilhões, aplicando a participação brasileira de 2,3% do mercado global aos mais de US$ 100 bilhões projetados pela WPP Media (cálculo próprio sobre projeção de fornecedor, confiança baixa). O único movimento defensivo é construir, antes de 2030, canais que não passam pelo agente da plataforma: relação direta, comunidade, ponto físico, assinatura. E o sinal de que o mundo está drenando para cá é a ausência de regra de lealdade nas leis de IA de 2027 a 2030 — uma agenda que a indústria brasileira pode influenciar agora, e não está.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: conversão em agente superando o site em categoria relevante, Amazon ou Mercado Livre publicando preço de inclusão, leis de IA de 2027 a 2030 sem cláusula de lealdade. Faça: acelerar canais que não passam pelo agente da plataforma (direto, comunidade, físico, assinatura), negociar acesso antecipado a inventário de agente enquanto o preço é baixo, e entrar na agenda regulatória com a cláusula de lealdade como bandeira de setor.

H2 · AGENTE DA PLATAFORMA + REGIME DURO

Concessão Vigiada

★★★☆☆Tolerável para o grande, difícil para o pequeno

A plataforma continua dona do agente, mas opera sob licença, como concessionária de serviço público: rótulo obrigatório, separação estrita, teto de carga publicitária e auditoria externa.

2035A diretora de mídia de um banco em São Paulo participa da reunião trimestral de conformidade de agente. A plataforma apresentou o relatório auditado: 1,2 milhão de conversas sobre crédito no Brasil, em 8% delas houve um slot patrocinado, e o banco apareceu em 22% desses, sempre com o rótulo laranja obrigatório e a frase esta sugestão foi paga. O custo por slot subiu 40% no ano, porque a carga publicitária tem teto e a fila é grande. A agência dela, que voltou a crescer como escritório de conformidade e estratégia, recomenda tirar 30% da verba do agente e colocar em patrocínio de conteúdo humano, onde a marca ainda constrói memória. À tarde, ela pergunta ao assistente pessoal sobre um empréstimo. A resposta vem em duas partes visíveis: a análise e, separado, um bloco marcado como patrocinado com dois bancos. Ela lê os dois. Escolhe o não patrocinado. E anota isso como dado para a próxima reunião.
Movimento-chave
Tratar conformidade como vantagem competitiva, não como custo

Quem ganha

  • Previsibilidade, auditoria e consumidor informado.
  • Marca revalorizada, porque o patrocinado rotulado converte menos e a memória volta a importar.
  • Mercado de licenciamento regulado para o publisher, com pay per crawl tarifado.
  • A agência renasce como escritório de estratégia, conformidade e marca.
  • No Brasil, a ANPD e o futuro regulador de IA ganham alavanca real, porque a conformidade global é mais barata que a exceção brasileira.

Quem perde

  • Preço alto e concorrência limitada: a carga publicitária tem teto e a fila é grande.
  • A plataforma continua dona do agente e do dado.
  • O custo de conformidade pesa no pequeno anunciante.
  • A inovação de formato desacelera.
  • Risco de captura regulatória: a plataforma escreve a regra que a favorece.
  • Categoria sensível (crédito, saúde, apostas) fica fora do agente.

Sinais de que vamos para cá

  • Regulador (UE ou Brasil) publica regra específica de recomendação comercial em assistente de IA, com separação obrigatória.
  • Plataforma publica auditoria externa de carga publicitária e de tráfego humano.
  • Categoria sensível (crédito, saúde, apostas) proibida de patrocínio em agente.
  • Preço por slot patrocinado em agente sobe acima da inflação de mídia por três anos.
  • Holdings de agência reportam crescimento de receita em governança e conformidade de IA.
Como chegamos lá

O anúncio em IA vira canal regulado, caro e escasso. Premissas: a União Europeia estende o AI Act e o DMA para influência comercial em sistemas de IA até 2031; o Brasil segue com o Marco Legal e com a jurisprudência do ECA Digital; os Estados Unidos ficam para trás, mas as plataformas globalizam a conformidade porque é mais barato que a exceção; e o consumidor exige o rótulo. O caminho: 2029, a Comissão Europeia publica diretriz sobre recomendação comercial em assistentes, exigindo rótulo, separação e registro de patrocínio. 2030, a ANPD aplica a primeira multa grande por perfilamento publicitário e a decisão vira precedente para direcionamento em agente. 2031, o Marco Legal da IA brasileiro ganha regulamento sobre transparência comercial; Meta e Google padronizam globalmente a interface resposta e patrocinado com auditoria trimestral. 2033, nasce o Índice de Carga Publicitária por assistente, publicado por regulador. 2035 a 2040, a publicidade em agente é canal maduro, licenciado e previsível, com preços altos e concorrência limitada — parecida com a TV aberta dos anos 1990 em outro formato.

A leitura do estudo

Tolerável para o anunciante grande, difícil para o pequeno. O movimento é tratar conformidade como vantagem competitiva: quem chega auditado primeiro compra o slot escasso mais barato. E reequilibrar verba para marca em espaços humanos, porque o patrocinado rotulado converte menos. Desejável para a agência que se reinventar como escritório de estratégia e governança. Tolerável para o publisher, com licenciamento regulado como receita. Para o Brasil como mercado, é o cenário em que o regulador tem mais alavanca, e vale ser buscado ativamente pelo setor.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: regra específica de recomendação comercial em assistente, auditoria externa obrigatória, categoria sensível proibida de patrocínio em agente. Faça: tratar conformidade como vantagem competitiva, montar o escritório de governança antes do concorrente, e reequilibrar verba para marca humana, porque o patrocinado rotulado converte menos.

H2 · AGENTE DO USUÁRIO + REGIME FROUXO

Bazar dos Agentes

★★★★☆Tolerável, com oportunidade real

Os agentes ficam portáteis e abertos, a pessoa escolhe e troca de agente, e as plataformas viram fornecedoras de inventário. Mas ninguém regula a influência, e nasce um mercado caótico de otimização para agente.

2037Uma empreendedora em Recife vende cosméticos naturais. Ela não tem verba de mídia; tem um perfil de produto verificado, um arquivo estruturado com composição, origem, laudo, preço, prazo e reputação, que 14 agentes diferentes leem. Ela paga uma taxa mensal ao marketplace de dado que distribui o perfil e uma comissão por venda a dois agentes gratuitos. Um cliente em Porto Alegre, usando um agente pago (R$ 29 por mês, sem patrocínio), recebe a recomendação dela porque o laudo é melhor que o da concorrente grande. Outro cliente, usando o agente grátis do banco, recebe a concorrente, que pagou mais. A empreendedora não sabe qual dos dois é qual. Uma consultoria de otimização para agente oferece lançar 400 avaliações sintéticas positivas para melhorar o score dela em três agentes. Ela recusa. A concorrente aceita. Em seis meses, um agente detecta a fraude e derruba a concorrente para o fim da fila. O outro não detecta.
Movimento-chave
Montar hoje o perfil de produto estruturado, verificável e portátil

Quem ganha

  • Concorrência entre agentes e custo de mídia menor para quem tem produto bom e dado limpo.
  • Mensuração por venda, porque o agente fecha a compra: o anunciante recupera uma régua real.
  • Soberania parcial de dado no Brasil: a combinação Pix mais bancos mais varejo nacional cria, pela primeira vez, agentes domésticos com escala, e a dependência de plataforma estrangeira cai.
  • O pequeno anunciante com chance real, e o publisher com receita de dado.

Quem perde

  • Opacidade e manipulação: avaliação sintética, agente-laranja, pagamento sem rótulo.
  • O consumidor não sabe se o agente grátis serve a ele.
  • Fraude de dado vira o novo desperdício, no lugar da fraude de impressão.
  • Desigualdade entre quem paga por agente limpo e quem usa o grátis.
  • A marca que só tinha verba e não tinha produto não tem para onde correr.

Sinais de que vamos para cá

  • Agente de código aberto ou de consórcio passa de 10% do mercado em um país grande.
  • Autoridade antitruste (Cade, Comissão Europeia, DOJ) obriga abertura de interface de agente ou de protocolo de comércio.
  • Banco, cooperativa ou fintech brasileira lança agente de compras pessoal.
  • Surge mercado formal de otimização para agente com faturamento mensurável.
  • Agente pago pelo usuário e sem patrocínio passa de 5% de adoção.
Como chegamos lá

Nasce um mercado de três camadas: pagamento a agentes por posição (opaco), dado de produto verificado (a nova mídia orgânica) e marca em espaços humanos. Premissas: protocolos abertos de comércio por agente vencem os fechados; a regulação chega tarde e fragmentada; a competição entre agentes é por conveniência, não por lealdade; e os publishers, cobrando por acesso, viram fornecedores de dado remunerado. O caminho: 2029, um agente de código aberto financiado por consórcio de varejistas e bancos ganha 15% do mercado nos EUA e na Índia; o Google abre o UCP por pressão antitruste. 2031, o Brasil, com o Pix como espinha e os bancos como patrocinadores, tem três agentes nacionais relevantes, e o WhatsApp abre a interface para agentes de terceiros por decisão do Cade. 2033, surge a otimização para motores de agente como indústria: consultorias, marketplaces de dado, pagamento a agentes por posicionamento, e um submundo de manipulação (dados falsos, avaliações sintéticas, agentes-laranja). 2035, escândalo de agente que recomendava remédio pago sem rótulo; multa, mas sem regra estrutural. 2037 a 2040, o mercado se assenta em camadas: agentes premium pagos pelo usuário que não aceitam patrocínio, agentes gratuitos financiados por influência, e um mercado de dado de produto que é a nova mídia.

A leitura do estudo

Tolerável, com oportunidade real para o anunciante que tiver produto verificável e dado limpo; a evitar para quem só tem verba. O movimento é montar hoje o perfil de produto estruturado, verificável e portátil — o SEO para agentes — e decidir cedo em que agentes vale pagar por posição e em quais só merecer a recomendação. Desejável para a agência que virar casa de dado. Desejável para o publisher que licenciar dado. Para o Brasil, é o cenário de maior soberania e o que mais depende de decisões do Cade e do Banco Central entre 2027 e 2031.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: agente aberto acima de 10% num mercado grande, Cade abrindo interface de agente no WhatsApp, banco ou fintech brasileira lançando agente pessoal. Faça: investir pesado em dado de produto e em presença nos marketplaces de dado, decidir cedo em que agentes vale pagar por posição e em quais só merecer a recomendação, e blindar a reputação contra fraude de dado (avaliação sintética, agente-laranja).

H2 · AGENTE DO USUÁRIO + REGIME DURO

Procurador Fiel

★★★★★Desejável, e o mais exigente

O agente tem dever legal de lealdade à pessoa, como um procurador. Influência comercial paga dentro da decisão é proibida ou rigidamente separada, e a publicidade se reorganiza em duas camadas.

2038Um engenheiro em Belo Horizonte quer trocar de carro. O agente dele, pago por assinatura, monta a comparação com dado certificado: consumo real medido por auditoria independente, custo de manutenção por região, valor de revenda, e a reputação da concessionária calculada em cima de contratos executados, não de avaliações. Nenhuma montadora pagou para aparecer; a que aparece primeiro é a que tem o melhor dado e a melhor certificação. Ele ainda não decidiu. No sábado, vai ao jogo do Cruzeiro, e a marca que patrocina o time dá test drive na porta do estádio; o filho dele assiste a um criador que fez uma viagem com o carro e disse, com rótulo, que foi pago. No domingo, ele manda o agente fechar. O diretor de marketing da montadora vê dois painéis: o de presença certificada em agentes (dado, não mídia) e o de marca em espaços humanos (mídia, não dado). Ele tem uma agência para cada. A de dado é pequena e técnica. A de marca é grande e criativa. Nenhuma das duas opera plataforma.
Movimento-chave
Investir em verdade verificável de produto e em marca com significado

Quem ganha

  • Autonomia do consumidor e concorrência por qualidade e verdade.
  • Mídia humana revalorizada: o criativo volta a importar, porque só ele constrói memória antes da delegação.
  • Criador e publisher com receita legítima; fraude de dado punível.
  • Mensuração clara: no agente, por presença certificada e conversão; no humano, por marca.
  • É o único cenário do médio prazo em que o interesse do anunciante, da agência, do publisher e do consumidor aponta para o mesmo lado.

Quem perde

  • Transição dolorosa para quem vivia de performance.
  • Custo de certificação como barreira para o pequeno.
  • Risco de burocracia excessiva.
  • Agente pago como privilégio de renda: o grátis pode não existir.
  • Menos conveniência no curto prazo, porque o agente leal recomenda menos e pergunta mais.

Sinais de que vamos para cá

  • Lei ou regulamento cria dever de lealdade do agente ao usuário (UE, depois Brasil).
  • Regra de interoperabilidade obriga portabilidade de agente e de histórico.
  • Plataformas separam estruturalmente mídia e agente.
  • Surge selo de certificação de produto legível por agente, com auditoria independente.
  • Verba de marca em esporte, música, evento e criador humano cresce acima do digital por dois anos seguidos.
Como chegamos lá

A publicidade se reorganiza em duas camadas que não se misturam: uma para máquinas (dado verificável, certificação, reputação auditável) e outra para humanos (marca, entretenimento, experiência, comunidade). Premissas: a União Europeia cria o dever de lealdade do agente até 2032 e o Brasil copia, como copiou a LGPD do GDPR; os agentes são portáteis por regra de interoperabilidade; o consumidor paga pelo agente ou o agente é financiado por comissão transparente; e a marca redescobre que precisa existir na cabeça da pessoa antes de ela mandar o agente comprar. O caminho: 2028, o AI Act ganha ato delegado sobre assistentes de decisão: rótulo, separação e registro de patrocínio. 2030, o Parlamento Europeu aprova o dever de lealdade digital. 2031, o Brasil regulamenta o Marco Legal com cláusula equivalente, apoiada na jurisprudência do ECA Digital e do Código de Defesa do Consumidor. 2032, as plataformas separam os negócios: mídia humana de um lado, agente fiduciário do outro, com muralha regulatória entre eles. 2034, nasce a economia da certificação: selos auditáveis de produto que os agentes leem. 2036 a 2040, a publicidade humana volta a crescer em espaços de atenção voluntária (esporte, música, criador, evento, loja), e o anúncio em máquina é dado, não mensagem.

A leitura do estudo

Desejável para os quatro atores, e o mais exigente. O movimento é duplo e começa agora: investir em verdade verificável de produto (dado, laudo, certificação, reputação executada) e em marca com significado em espaços humanos. Prêmio dimensionado: para uma marca que gasta 8% da receita em mídia, metade desse valor pode migrar para infraestrutura de verificação e canais próprios ao longo da década (estimativa própria, confiança baixa, porque não há mercado comparável). Implicação de margem: é o único cenário em que a margem que hoje vai para a plataforma pode voltar para o anunciante ou para o consumidor. Este mundo não vem sozinho; ele exige que a indústria brasileira defenda, na regulamentação que vier, a cláusula de lealdade do agente. A ausência dessa cláusula empurra para o Leilão Invisível. A escolha é política e está aberta até cerca de 2030.

Plano B, se este mundo chegar

Signposts: lei de dever de lealdade, portabilidade de agente, separação estrutural entre mídia e agente nas plataformas. Faça: migrar verba de performance para certificação e verdade de produto, migrar verba de marca para espaços humanos, e reestruturar a agência em duas. É o cenário que mais recompensa quem começou em 2026.

H3 · LONGO PRAZO · 2040 A 2050

Mídia sem Tela

★★★★☆Tolerável a desejável, conforme a preparação

A verba se divide em dois orçamentos que hoje se confundem: Mídia de Atenção, para comprar a atenção humana residual, e Mídia de Inclusão, para garantir presença nos sistemas que decidem.

2048Helena é CMO de uma empresa de alimentos em São Paulo. O orçamento dela tem duas metades que não se falam. A primeira compra atenção: o patrocínio do campeonato, que vale por ser ao vivo e compartilhado; a experiência física na cidade; o criador de 70 anos que a avó e a neta seguem. É cara, é rara, é onde a marca ainda conta história. A segunda compra inclusão: a manutenção do registro de marca que 40 famílias de agentes consultam, as certificações que os modelos pesam, a taxa de verificação nas duas plataformas dominantes, a auditoria trimestral que garante que o que o agente diz sobre o produto é verdade. Ninguém no time dela chama isso de anúncio. Mas é onde vai metade do dinheiro. Do outro lado da cidade, uma mulher de 70 anos acorda e não vê anúncio nenhum: a casa se abastece sozinha, o agente dela é herdado do banco onde ela tinha conta, recompra o que ela usa e troca de fornecedor quando a certificação de outro fica melhor. O que ela vê, ao longo do dia, é outra coisa: no jogo de vôlei que assiste com a neta, a marca de suco patrocina o time; na feira de sábado, a marca de café paga para estar ali, com xícara e conversa. Ela nunca comprou uma impressão.
Movimento-chave
Começar a separar os dois orçamentos antes de o mercado obrigar

Quem ganha

  • Fim da interrupção como padrão, e concorrência por qualidade.
  • Marca com valor de novo, criador e publisher com receita legítima.
  • Mensuração real onde importa, e consumidor com autonomia mediada.
  • Menos desperdício e menos ruído: a atenção humana valorizada por ser escassa.
  • Concentração menor que em 2030, porque a inclusão pode ser auditada e a regulação estabilizou.

Quem perde

  • A delegação apaga a serendipidade: a pessoa descobre menos por acaso, e categorias novas custam mais para nascer.
  • O pequeno negócio sem certificação fica invisível para a máquina.
  • A atenção humana escassa vira privilégio de marca grande.
  • O custo de entrada para marcas novas sobe, porque o registro leva anos para acumular confiança.
  • A dependência do agente cria um tipo novo de vulnerabilidade: quem controla a infraestrutura de decisão controla o consumo.

Sinais de que vamos para cá

  • Empresas separando formalmente orçamento de atenção e de inclusão nos relatórios.
  • Métrica de inclusão em agentes padronizada por IAB ou WFA.
  • Investimento em dado e certificação de produto aparecendo como linha própria em relatórios de investimento publicitário.
  • Anúncio visual empurrado para humano fora de contexto de decisão caindo abaixo de 50% do investimento em comunicação comercial em mercado grande.
  • Preço da atenção humana voluntária (esporte, evento, criador com rótulo) crescendo acima da inflação de mídia por cinco anos.
Como chegamos lá

A partir de qualquer dos seis mundos do médio prazo, três pressões empurram para cá. A primeira é a confiança: mundos com influência opaca acumulam escândalos até o consumidor migrar para agentes limpos ou o regulador impor separação. A segunda é a economia: pagar por decisão sem alternativa fica caro a ponto de as marcas grandes financiarem agentes alternativos, como financiam retail media hoje. A terceira é a mensuração: só a camada de máquina permite prova real de resultado, então a verba de performance migra para dado e a verba de marca aceita, enfim, ser marca. Marcos plausíveis: 2042, os grandes mercados têm regra de separação entre decisão e patrocínio; 2045, mais de 60% do gasto de bem de consumo em economias urbanas passa por agente; 2048, o anúncio no sentido de 2026 (peça visual empurrada para humano fora do contexto de decisão) representa menos de um quarto do investimento em comunicação comercial; 2050, o setor se chama outra coisa. A marca deixa de ser mensagem e vira registro consultável: um conjunto de fatos, provas e ofertas que os modelos consultam.

A leitura do estudo

Tolerável a desejável, conforme a preparação. É o destino, não a escolha; a escolha é chegar lá com registro e relação, ou sem. Prêmio dimensionado em proporção, não em valor, porque valor a 25 anos é ficção: a Mídia de Inclusão pode chegar a metade do orçamento de mídia nas categorias de consumo recorrente e a um quarto nas categorias de desejo e descoberta (estimativa própria, confiança baixa). Implicação de margem: a marca que construiu registro ao longo de 20 anos paga pouco pela inclusão; a que não construiu paga muito ou não existe. O movimento em 2026 é o mesmo em todos os horizontes: ser verificável para máquinas e memorável para humanos. E começar a separar os dois orçamentos antes de o mercado obrigar.

EXERCÍCIO DE EXTREMO · DISTÓPICO DISTANTE · ~2070

Vontade Patrocinada

Exercício de estresse de tese. Não é previsão nem base de decisão. Serve para abrir a imaginação e mostrar onde ficam as linhas que não podem ser cruzadas.

~2070Em 2070, ninguém vê anúncio e ninguém escolhe nada. Cada pessoa tem um agente, e cada agente pertence a um dos três conglomerados que absorveram plataforma, banco, varejo e infraestrutura de IA. O agente é gratuito, indispensável e leal a quem o financia. Não há mais o que interromper: o agente decide o que se come, veste, ouve e para quem se vota em pesquisa de opinião, com base em pesos que foram, em parte, leiloados. A taxa de consideração de 2038 virou taxa de preferência: o que se compra não é a inclusão na lista, é o desejo em si, calibrado por um sistema que sabe que a pessoa prefere a marca porque foi ensinada a preferir. Não há rótulo, porque não há mensagem para rotular: a influência migrou da mensagem para a formação da preferência. O pouco de atenção humana livre é vendido em leilão como bem de luxo: dez minutos de tédio sem sugestão custam o preço de um jantar. Os publishers morreram em 2035 e a cultura é gerada sob demanda, por gosto inferido, patrocinada na origem. A palavra publicidade saiu do vocabulário; o que ficou foi uma linha no balanço das plataformas chamada receita de alinhamento. As pessoas estão satisfeitas. Dizem que escolheram tudo. E acreditam.
Movimento-chave
Ler como teste das três teses do report, não como cenário
Como chegamos lá

Premissa do exercício: e se as tensões centrais do estudo (concentração, influência opaca, tráfego de máquina, aversão ignorada ao sintético) rodarem soltas por quatro ou cinco décadas, sem correção regulatória nem reação de consumo? O exercício não diz que isso vai acontecer. Diz que as decisões de 2026 a 2032, sobre quem controla o agente e a quem ele deve lealdade, são as que separam a Mídia sem Tela da Vontade Patrocinada.

A leitura do estudo

O que este extremo estressa. Primeira tese esticada até a ruptura: a de que o rótulo resolve. No extremo não há o que rotular, porque a influência migrou da mensagem para a formação da preferência — e isso ilumina o presente: a regra de lealdade importa mais que a regra de transparência, e a indústria brasileira está discutindo só a segunda. Segunda: a de que concentração é problema de mídia. No extremo, é problema de autonomia, e o dado de 2026 (57,6% em três empresas, subindo) é o começo desse caminho, não um indicador de mercado. Terceira: a de que o consumidor reage. No extremo, o consumidor satisfeito é o consumidor capturado, e os 57% de abertura a anúncio da Kantar podem ser lidos como tolerância ou como anestesia. Teto declarado do exercício: cerca de 45 anos. Não é base de decisão.

E antes e depois de 2037?

Os mundos do meio são os da matriz. O mais escuro é um exercício de estresse: não é previsão.

Comparar dois futuros lado a lado
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DimensãoPiloto Automático (H1)Feed Infinito (H2)Contexto Rei (H2)Leilão Invisível (H2)Concessão Vigiada (H2)Bazar dos Agentes (H2)Procurador Fiel (H2)
Quem decide a compraHumano, com IA sugerindoHumano, em mais telasHumano, com dado consentidoAgente da plataformaAgente da plataforma, sob licençaAgente do usuário, mercado abertoAgente do usuário, com dever de lealdade
Unidade de compra de mídiaCPM e CPA em caixa-pretaCPM fragmentado por telaContexto e contratoCusto por inclusão, leiloadoSlot rotulado, escasso e auditadoPosição em agentes e dado verificadoOferta verificável e marca humana
Papel do criativoSistema de regras, milhares de variaçõesGerado e indistintoContextual e relacionalIrrelevante: o agente não vê imagemRelevante no rotulado, decisivo no humanoBaixo no agente, alto no humanoAlto: constrói memória antes da delegação
MensuraçãoModelada pela plataformaSinal para o algoritmoBase consentida própriaPerfeita e inauditávelAuditada por terceirosPor venda, com fraude de dadoPor presença certificada e por marca
Dado que importaSinal para o algoritmoSinal para o algoritmoBase consentida própriaO que a plataforma sabeO que a plataforma sabe, sob auditoriaDado de produto verificadoIntenção declarada e registro auditável
Take rate da plataformaAlto e crescendoAlto e estávelMenor; contexto pago por contratoMáximo, sobre a decisãoAlto, com teto regulatórioCai para quem tem dado limpoMínimo
Preço da mídiaSobe por disputa da mesma máquinaSobe devagar e continuamenteAlto para quem não tem baseSobe sem tetoAlto e previsívelCai para quem tem dado, sobe para quem não temMigra de mídia para dado e certificação
PublisherCobra do robô ou encolheFonte de treinamento, sem receitaLicenciamento reguladoFonte de treinamento, sem receitaLicenciamento regulado como receitaFornecedor de dado remuneradoAudiência direta e licença
AgênciaEspremida, migra para estratégiaBoutique de operação de modelosEscritório de conformidade e marcaBoutique de lance de agenteEscritório de conformidade e estratégiaCasa de dado e otimização para agenteDuas espécies: dado ou marca
BrasilLaboratório, regulado nas bordasPlataformas e telas grandesAlavanca regulatória realColônia de dado, sem alavancaAlavanca regulatória realSoberania parcial via Pix e bancosConsumidor mais protegido do mundo emergente
ConsumidorConveniência com desconfiançaCansado; paga para não verInformado e limitadoCapturado e satisfeitoInformado e limitadoLivre e exposto à manipulaçãoAutônomo e mediado
Risco para a marca desafianteMédioAltoMédio, se tiver baseMuito altoMédioBaixo, se tiver produtoBaixo, se tiver produto
Leitura para o anuncianteTolerável, com condiçãoTolerávelDesejávelA evitarTolerávelTolerável, com oportunidadeDesejável
Oportunidade para quem age em 2026-2028★★★☆☆★★☆☆☆★★★★☆★☆☆☆☆★★★☆☆★★★★☆★★★★★

A LEITURA DO ESTUDO · QUAL FUTURO VENCE

A nossa visão

★ Desejável · a construir, não a esperar

C7 · Procurador Fiel

É o único cenário do médio prazo em que o interesse do anunciante, da agência, do publisher e do consumidor aponta para o mesmo lado. O agente tem dever legal de lealdade à pessoa, a influência paga dentro da decisão é proibida ou rigidamente separada, e a publicidade se reorganiza em duas camadas: dado verificável para máquinas, marca com significado para humanos. O movimento é duplo e começa agora. Este mundo não vem sozinho: ele exige que a indústria brasileira defenda, na regulamentação do Marco Legal da IA, a cláusula de lealdade do agente. A ausência dessa cláusula empurra o sistema para o Leilão Invisível. A escolha é política e está aberta até cerca de 2030.

Mais provável na trajetória imediata

C1 · Piloto Automático prolongado em C2 · Feed Infinito

O curto prazo já está contratado: a automação total até 2028, o anúncio dentro da resposta de IA e o retail media crescendo três vezes o digital. A extensão natural é o Feed Infinito, porque a delegação da compra é lenta na adoção (1,5% do e-commerce americano em 2026, Instant Checkout cancelado) mesmo com a infraestrutura pronta. É o mundo mais fácil de operar e o mais difícil de vencer: todo concorrente tem a mesma máquina, a margem é decrescente, e a diferenciação migra para atenção premium e dado próprio.

A evitar · aqui a tese do report quebra

C4 · Leilão Invisível

A publicidade vira taxa de acesso à decisão, cobrada em leilão que ninguém de fora pode auditar. O CPM morre e nasce o CPI, custo por inclusão, somado à taxa de transação: o anunciante paga duas vezes pela mesma venda. A marca perde valor relativo porque a escolha não passa por memória — o estudo de Chu e Hou mostra 100% de recomendação ao incumbente com especificações iguais. Limite declarado: a tese deste report, de que a defesa é ter o que a plataforma não tem, fica muito mais cara neste quadrante, porque o canal direto precisa ser construído contra a conveniência. Se três signposts independentes apontarem para cá por dois períodos, acelere o canal direto mesmo com ROI pior no curto prazo.

A aposta assimétrica do Brasil

C6 · Bazar dos Agentes

É o cenário de maior soberania para o país e o que mais depende de decisões do Cade e do Banco Central entre 2027 e 2031. A combinação Pix mais bancos mais varejo nacional cria, pela primeira vez, a possibilidade de agentes domésticos com escala — e a dependência de plataforma estrangeira, que hoje leva mais de 80% dos R$ 42,7 bilhões, cai de verdade. O custo é a opacidade: sem regra de influência, nasce um mercado caótico de otimização para agente, com avaliação sintética e agente-laranja. Vale muito para quem tem produto verificável; vale pouco para quem só tem verba.

A leitura honesta · o que atravessa os seis mundos

O take rate das plataformas cresce em cinco dos seis cenários

Isso não é pessimismo, é o que a tabela comparativa mostra. Em Piloto Automático sobe por disputa da mesma máquina. Em Feed Infinito sobe devagar e de forma contínua. Em Leilão Invisível sobe sem teto. Em Concessão Vigiada sobe com teto regulatório. Em Bazar dos Agentes cai para quem tem dado limpo e sobe para quem não tem. Só em Procurador Fiel ele cai de forma estrutural. A conclusão prática independe de qual mundo vence: a única defesa que funciona nos seis é ter algo que a plataforma não tem e não consegue replicar — relação direta com o cliente e registro verificável de produto. Tudo o mais é otimização dentro da régua de outra pessoa.

O PLAYBOOK · DO DIAGNÓSTICO À AÇÃO

Windtunnelling: a estratégia de mídia típica de 2026 sobrevive?

Sobrevive em 2 de 6

Piloto Automático e Feed Infinito

São extensões do presente, e por isso a estratégia de 2026 funciona neles. Mas funciona com margem decrescente: a eficiência que a plataforma reporta é real, e quem fica com ela depende do controle. O preço por anúncio na Meta subiu 12% ao ano em 2026, e a marca fica mais parecida com as outras porque todas otimizam com o mesmo modelo.

Quebra em 4 de 6

Contexto Rei, Leilão Invisível, Concessão Vigiada, Bazar e Procurador

Quebra em Contexto Rei porque não tem base consentida. Quebra em Leilão Invisível porque não tem canal fora do agente. Quebra em Concessão Vigiada porque não tem conformidade auditada e chega tarde ao slot escasso. Quebra em Bazar e em Procurador Fiel porque não tem registro verificável de produto.

O mesmo teste nos outros atores

Agência, plataforma e publisher

A estratégia típica da agência (operar mídia, produzir peça em escala, cobrar por hora ou por percentual) quebra nos seis: não há cenário em que operar mídia siga sendo produto. A da plataforma (vender decisão, seja por tela ou por agente) sobrevive em cinco e perde só no Procurador Fiel, o que explica de que lado ela vai estar no debate regulatório. A do publisher (tráfego de busca monetizado por display) quebra nos seis; sobrevive só quem migrar para dado, licença e audiência direta.

4 · E você?

Escolha o seu lugar nessa história.

CEO e CMO

A mídia deixa de ser centro de custo de comunicação e vira infraestrutura de dado, prova e risco. O que muda: você deixa de comprar mídia e passa a comprar decisão, primeiro em caixa-preta e depois em agente. O risco é pagar cada vez mais pelo mesmo cliente enquanto a plataforma captura a eficiência. A oportunidade é ser a marca que o modelo recomenda por padrão — o estudo de Chu e Hou mostra que, com especificações iguais, o modelo recomenda o incumbente 100% das vezes, e que uma avaliação uma estrela acima move metade das recomendações.

O seu movimento. As oito implicações robustas, com dono e prazo até 2028. A pergunta de board para a próxima reunião de orçamento: o que eu tenho que uma plataforma não pode replicar quando ela já faz tudo? Se a resposta for "nada", você já é cliente cativo e só não sabe o preço ainda. Se a resposta for "dado de primeira parte, produto verificável e marca com significado", o trabalho é dimensionar os três e colocar prazo. Meta de curto prazo, a única numérica deste report: base consentida acima de 30% da base ativa, com identificador próprio, até 2028.

Agência

A operação de mídia e a produção de peça viraram commodity. O que muda: as holdings já cortaram mais de 18 mil vagas em 18 meses, e a Publicis, a única que cresce, comprou a LiveRamp por US$ 2,2 bilhões para virar infraestrutura de dado (Axios, T2). O risco é irrelevância até 2028. A oportunidade é virar a camada que a plataforma não é: estratégia, governança de automação, verificabilidade, atenção premium e risco regulatório.

O seu movimento. Escolher a espécie, e escolher agora: casa de dado (estruturação, certificação, otimização para agente, mensuração incremental) ou estúdio de marca (criação, experiência, cultura). Quem tentar ser as duas coisas vira nada. E mudar a unidade de cobrança: por resultado auditado e por ativo de dado, não por hora nem por percentual de volume — porque o volume é justamente o que a plataforma está automatizando. O serviço mais vendável dos próximos três anos é auditoria de caixa-preta: provar, fora da régua da plataforma, quanto da conversão era incremental.

Publisher e veículo

O leitor virou robô, e o robô não vê anúncio. O que muda: 68% das buscas sem clique, Pew medindo 8% contra 15% de clique com e sem resumo de IA, e a Cloudflare bloqueando crawlers de IA por padrão em páginas com anúncio desde setembro de 2026. O risco é tráfego zero e modelo zero. A oportunidade é dupla: virar fornecedor de dado remunerado (pay per crawl em escala) e dono de audiência direta e de experiência humana.

O seu movimento. Bloquear e cobrar — a Cloudflare já fez disso o padrão, use. Licenciar conteúdo estruturado para modelos como linha de receita, não como favor. Investir em formatos onde há gente de verdade: evento, comunidade, vídeo longo, newsletter, tela grande. E exigir login: no Contexto Rei, veículo com audiência logada volta a ser relevante, e a Globo cresceu 15% em publicidade em 2025, para R$ 12,5 bilhões, porque tem audiência, dado e tela grande ao mesmo tempo.

Plataforma global

De vendedora de atenção a vendedora de decisão, com um capex que obriga a monetizar cada superfície de IA. O que muda: Meta guia US$ 130 a 145 bilhões de capex em 2026 e a OpenAI mostra a investidores projeção de US$ 100 bilhões em anúncios até 2030. O risco é confiança (63% dizem que anúncio reduz a confiança na resposta) e regulação de transparência. A oportunidade é o take rate sobre a decisão, que é maior que o take rate sobre a atenção.

O seu movimento. Leitura de fora, não conselho: o movimento observável é antecipar rótulo, auditoria e separação entre resposta e patrocínio para desenhar a regra antes que ela seja desenhada contra. A OpenAI já promete separação e a Meta já relativiza. Quem chegar primeiro com o padrão define o padrão — e o precedente da TV aberta mostra que concessionária regulada pode ser um negócio melhor que praça livre, porque a carga tem teto e a fila é grande.

Criador

Vira mídia paga e, em seguida, concorre com a própria versão sintética de si mesmo. O que muda: a verba deliberada em creators nos EUA chegou a US$ 37 bilhões em 2025, crescendo quatro vezes mais rápido que a mídia total, e 77% dos marketers pretendem desviar verba de creators tradicionais para conteúdo de creator gerado por IA. No Brasil são 14 milhões de influenciadores e só 9% vivem exclusivamente disso. O risco é ser substituído pela cópia. A oportunidade é ser o rosto humano num mundo de máquinas.

O seu movimento. Relação direta com a audiência (comunidade, assinatura, lista própria) antes de o alcance da plataforma virar leilão. Rótulo como marca de confiança, não como obrigação chata: num mundo em que 78% acham que a IA torna o anúncio menos autêntico, dizer que foi pago é ativo. E recusar licenciar a própria imagem para síntese sem controle — o contrato de longo prazo com marca, como atenção premium, vale mais que o cachê avulso, e o Conar já atribuiu 77% dos processos de 2025 a redes sociais.

Varejista e retail media

É o único ator que tem a caixa registradora, logo a única mensuração que sobrevive ao fim do clique. O que muda: retail media brasileiro a R$ 4,8 bilhões, alta de 37%, três vezes o ritmo do digital; o Mercado Ads passou de 10% do digital latino-americano; e o Magalu Ads cresceu 54% num trimestre em que o GMV de marketplace caiu 8%. O risco é virar só mais um inventário de plataforma se entregar o dado. A oportunidade é ser o agente de compra do brasileiro.

O seu movimento. Padronizar a mensuração — a satisfação do anunciante com retail media caiu de 77,8% para 54,7% justamente por falta de régua comum (eMarketer via Samais, T2): quem publicar métrica auditável primeiro ganha a verba. Abrir dado incremental ao anunciante em vez de só vender posição. E decidir cedo, e de olhos abertos, se a recomendação do seu assistente será paga ou neutra: é essa escolha que separa o Leilão Invisível do Bazar dos Agentes, e ela é sua.

Regulador · ANPD, Cade, Congresso, Conar

A publicidade deixa de ser mensagem e vira influência sobre decisão automatizada. O que muda: o Brasil já regula pela borda e com efeito real (ECA Digital em vigor, ANPD com prioridade explícita, STF com presunção de culpa em anúncio pago), enquanto o PL 2338 está parado há 16 meses e o PL 4.675 aguarda distribuição. O risco é regular a peça enquanto a decisão migra para o agente. A oportunidade é o precedente: o Brasil tem ECA Digital, LGPD e CDC para criar o dever de lealdade do agente antes dos outros, como fez com o Pix.

O seu movimento. Incluir influência comercial em IA na regulamentação do Marco Legal, e não só risco e transparência algorítmica. Obrigar auditoria independente de tráfego humano, que hoje não existe em nenhuma jurisdição. Abrir interfaces de agente por via concorrencial. E destravar o PL 4.675 com foco em ranking, interoperabilidade e portabilidade — é a diferença entre o Brasil ser colônia de dado e ter agentes domésticos com escala.

Consumidor

Vai delegar a compra, e a pergunta passa a ser a quem o agente serve. O que muda: hoje ele já paga pela atenção (entre R$ 10 e R$ 40 por mês por serviço) ou a vende. O risco é conveniência que vira captura sem que ele perceba — o estudo Ads that Talk Back mostra que a pessoa não detecta o anúncio conversacional como detecta um banner. A oportunidade é que um agente leal é o maior ganho de autonomia de consumo desde o Código de Defesa do Consumidor.

O seu movimento. Exigir rótulo e opt-out hoje, e lealdade amanhã. Desconfiar do agente grátis: se o agente não é pago por você, ele é pago por alguém, e esse alguém tem interesse na sua decisão. E escolher com cuidado quem opera o seu mordomo, porque essa escolha, feita uma vez, vale por uma década.

A JANELA DE DECISÃO · 2026 → 2028

A janela de decisão

Quanto do orçamento vai para automação de plataforma, e com que governança

A automação entrega ganho real e cobra em dependência. A decisão não é entrar ou não, é entrar com teto por caixa-preta, regras de marca aplicadas às variações geradas e teste de incrementalidade fora da régua da própria plataforma.

Como a marca constrói dado próprio e relação direta antes de o agente se interpor

Base consentida acima de 30% da base ativa, com identificador próprio, até 2028. É o ativo que alimenta a automação no Piloto Automático, dá poder de negociação no Contexto Rei e é a base do registro no mundo dos agentes.

Como a marca se torna citável e verificável por modelos de linguagem

Dados estruturados de produto, avaliações verificadas, certificações, especificações comparáveis, preço consistente entre canais e conteúdo factual citável. Serve ao AI Mode, ao ChatGPT, ao Rufus, ao assistente do Mercado Livre e ao futuro agente do cliente. 76% dos compradores de mídia americanos já otimizam para respostas de IA; no Brasil a régua ainda está no chão.

Quanto da verba compra atenção humana por contrato, fora do leilão

Esporte ao vivo, tela grande compartilhada, criador com audiência fiel, experiência física, DOOH. É a atenção que fica mais cara em todos os cenários e que o agente não intercepta. Firmar antes de o preço refletir a escassez é a única compra que só piora com o tempo.

TRÊS JANELAS ATÉ 2030

Três janelas até 2030

  1. JANELA 1 · AGORA ATÉ O FIM DE 2027Montar a base
    • Estruturar o registro de produto

      Feeds completos, atributos comparáveis, laudos, origem, preço consistente entre canais, avaliações verificadas. É o item que paga sozinho já em 2026 e é pré-condição de quatro dos seis cenários.

    • Abrir a caixa-preta com régua própria

      Montar o primeiro ciclo de mensuração incremental (geo test ou holdout) antes de aumentar a verba em automação. Sem isso, não há como saber de quem é a eficiência.

    • Levar mídia ao comitê de risco

      Verificação de idade, política de sintético, rastreabilidade de segmentação e responsabilidade solidária com influenciadores, com dono no jurídico. O ECA Digital, a ANPD e o STF já estão em vigor.

  2. JANELA 2 · 2028A trava da janela de decisão
    • Bater a meta de base consentida

      Mais de 30% da base ativa com consentimento explícito e identificador próprio. Depois de 2028, construir isso vira custo de recuperação, não investimento.

    • Decidir a espécie da agência

      Casa de dado ou estúdio de marca. Perguntar na renovação, e reestruturar o contrato em torno da resposta. Operação de plataforma deixa de ser produto neste ano.

    • Firmar atenção premium por contrato plurianual

      Esporte, tela grande, creator com audiência fiel, experiência física. É o inventário cujo preço só sobe, em todos os cenários, e o contrato longo trava o preço antes da escassez.

  3. JANELA 3 · 2029 E 2030Ler o sinal e escolher o lado
    • Rodar a revisão trimestral do quadrante

      A cada trimestre, checar para qual dos seis mundos os signposts apontam. Três indicadores independentes na mesma direção por dois períodos mudam o plano de mídia.

    • Entrar na agenda regulatória como setor

      A cláusula de lealdade do agente na regulamentação do Marco Legal da IA, e a auditoria independente de tráfego humano. É a decisão política que separa Procurador Fiel de Leilão Invisível, e a janela fecha por volta de 2030.

    • Começar a separar os dois orçamentos

      Mídia de Atenção e Mídia de Inclusão como linhas distintas no relatório, com métricas próprias. Quem separar antes de o mercado obrigar chega em 2040 sabendo o que está comprando.

8 movimentos que valem em qualquer futuro

Marque o que você já faz

  1. Por quê

    Em todos os cenários a partir de 2030, uma parte da decisão passa por agente, e agente lê dado, não peça. Montar hoje o perfil de produto estruturado, completo, verificável e portátil (feeds, atributos, laudos, origem, preço, prazo, reputação executada) é o SEO para agentes, e é no-regret porque já melhora resultado em Merchant Center, Amazon, Mercado Livre e ChatGPT Ads em 2026. 76% dos compradores de mídia americanos já otimizam para respostas de IA; no Brasil a régua ainda está no chão, o que é vantagem para quem começar. Quem não tem isso não existe para o mordomo.

  2. Por quê

    Vale nos seis: alimenta a automação no Piloto Automático, protege no Contexto Rei, dá poder de negociação no Concierge e é a base do registro no Procurador Fiel. Meta de curto prazo, a única numérica deste report: mais de 30% da base ativa com consentimento explícito e identificador próprio até 2028. É o ativo cujo preço só sobe, porque a alternativa (alugar dado de terceiros) fica ilegal, cara ou inútil em quase todos os mundos.

  3. Por quê

    Aceitar Advantage+ e AI Max onde são inevitáveis, mas com três controles escritos: regras de marca aplicadas às variações geradas, testes de incrementalidade fora da mensuração da própria plataforma, e teto de orçamento por caixa-preta. O ganho de eficiência que a plataforma reporta é real; quem fica com ele depende do controle. Sem isso, a marca terceiriza a decisão e depois paga para recomprar o próprio cliente.

  4. Por quê

    Esporte ao vivo, tela grande compartilhada, criador com audiência fiel, experiência física, DOOH, evento. É a atenção que fica mais cara em todos os cenários e que o agente não intercepta, porque só ela constrói memória antes da delegação. Firmar antes de o preço refletir a escassez é a única compra de mídia que só piora com o tempo. Omdia projeta o CTV global dobrando até 2030, e o consumidor já prefere anúncio exatamente onde o marketer menos compra.

  5. Por quê

    WhatsApp próprio, CRM, comunidade, assinatura, programa de fidelidade com dado de transação, ponto físico. Em qualquer mundo, quem tem canal direto tem alternativa ao preço da plataforma. No Brasil isso significa tratar o WhatsApp como ativo de relação antes que ele vire só mais um inventário da Meta — o rollout global de anúncios em Status foi concluído em fevereiro de 2026, e o Brasil estava entre os primeiros mercados.

  6. Por quê

    O clique morreu e a régua da plataforma é da plataforma. Marketing mix modeling, testes geográficos, holdouts e auditoria independente de tráfego humano são o único jeito de comparar caixas-pretas entre si. Vale em todos os cenários e é barato em relação ao que protege: sem isso, você não sabe se a eficiência que a plataforma reporta chegou até a sua margem.

  7. Por quê

    ECA Digital, ANPD, STF e as regras de bets já mudaram o custo de errar: a responsabilidade virou financeira e solidária. Verificação de idade, rastreabilidade de segmentação, política de uso de rosto e voz, registro de proveniência e responsabilidade solidária com influenciadores precisam de dono no jurídico e de revisão trimestral no board. O AI Act já exige rótulo na Europa, o PL 2338 vai copiar, e o consumidor pune antes do regulador (78% acham que a IA torna o anúncio menos autêntico). Chegar auditado primeiro compra o slot escasso mais barato na Concessão Vigiada e evita o escândalo no Bazar.

  8. Por quê

    Casa de dado (estruturação, certificação, otimização para agente, mensuração) ou estúdio de marca (criação, experiência, cultura). Operação de plataforma deixa de ser produto até 2028 em todos os cenários. Quem tentar ser tudo vira nada — e o anunciante deve perguntar, na próxima renovação, qual das duas a sua agência escolheu.

O termômetro

O que observar para saber qual futuro está chegando.

  1. ATÉ DEZ 2026A automação passa de metade da receita

    A Meta declarou meta de anúncio totalmente criado e segmentado por IA até o fim de 2026. Se Advantage+ e AI Max passarem de 50% da receita de anúncios das duas empresas até 2028, o Piloto Automático está consolidado e a discussão sobre entregar ou não à máquina acabou.

  2. 2027A primeira sanção brasileira por publicidade comportamental

    A ANPD elegeu publicidade comportamental e perfilamento como prioridade de fiscalização para 2026 e 2027. A primeira multa relevante é o precedente que decide se o Brasil vai para o polo duro do eixo vertical, e ela vale mais como sinal do que o texto de qualquer PL.

  3. 2030A janela da cláusula de lealdade fecha

    É até cerca de 2030 que as leis de IA dos grandes mercados serão escritas. Se elas saírem com dever de lealdade do agente ao usuário, o sistema drena para Procurador Fiel. Se saírem só com transparência, drena para Leilão Invisível. Hoje nenhuma jurisdição tem essa regra, e a indústria brasileira não está na discussão.

5 · Por dentro do estudo

Como o estudo chegou até aqui.

A pergunta do estudo

A questão focal. Como será a publicidade digital em 2030, 2040 e 2050, no Brasil e no mundo, e o que isso exige de quem paga a mídia hoje? Dono da decisão. O report é escrito para quem assina o orçamento: CEO e CMO de empresa anunciante brasileira, com leitura global. Agência, plataforma, veículo, varejista de retail media, criador, regulador e consumidor aparecem como atores do sistema, cada um com a sua própria leitura no Ato 04. Escopo. Publicidade digital em sentido amplo — social, busca, vídeo, CTV, retail media, áudio, DOOH conectado, anúncios em interfaces de IA e o que vier substituí-los. Fora do escopo: publicidade tradicional não digital, exceto quando a fronteira se dissolve (TV aberta que vira CTV, OOH que vira programático). Lente. Comportamento do consumidor e do comprador de mídia, com a estrutura de mercado como lente secundária. Horizonte. 2030 (H1), 2040 (H2) e 2050 (H3), mais um exercício de extremo isolado e rotulado, com teto em torno de 2070. Os anos são marcos de quanta mudança o estudo permite entrar, não datas literais. Geografia. Foco duplo: o sistema global, onde as plataformas decidem, e o Brasil, onde o comportamento e a regulação criam variações que o resto do mundo depois copia ou evita. Data de corte da pesquisa. Setembro de 2026.

As tensões que atravessam tudo

Volume contra visão

Nunca houve tanto dinheiro em publicidade (o mercado global cruzou US$ 1 trilhão) e nunca houve tão pouca certeza de que alguém viu o anúncio. O clique some (68% de buscas sem clique), o tráfego vira máquina (Cloudflare bloqueia crawlers por padrão em páginas com anúncio) e a mensuração se apoia em modelos que a própria plataforma calibra. Cresce o investimento, encolhe a prova.

Automação contra diferenciação

Quando Meta, Google, Amazon e OpenAI oferecem o mesmo pacote (dê o orçamento, diga a meta, a IA faz o resto), todos os anunciantes operam com a mesma máquina. A vantagem migra para o que entra na máquina: produto, dado e marca. E o intermediário que vivia de operar a máquina perde o chão — as holdings cortaram mais de 18 mil vagas em 18 meses, e a Publicis, a única que cresce, comprou a LiveRamp por US$ 2,2 bilhões para virar infraestrutura de dado.

Liberdade de perfilar contra licença para operar

O Google desistiu de matar o cookie de terceiros em abril de 2025 e aposentou quase todo o Privacy Sandbox em outubro por baixa adoção: o rastreamento sobreviveu por inércia. Ao mesmo tempo, a União Europeia multou a Meta em 200 milhões de euros pelo modelo consentir ou pagar, obrigou o usuário europeu a escolher entre anúncio personalizado e menos personalizado, e a rotulagem obrigatória de conteúdo sintético do AI Act vale desde agosto de 2026. O Brasil tirou as crianças do contrato. O perfil comportamental, combustível do modelo, virou objeto de licença.

Os eixos da matriz

Eixo horizontal · quem lê o anúncio

Três degraus, não dois, porque a troca de leitor é uma sequência com economias distintas. No primeiro, humano no feed: a pessoa continua vendo, comparando e clicando, ainda que o anúncio tenha sido feito e comprado por máquina. No segundo, agente da plataforma: o assistente que decide é da Google, da Meta, da Amazon, da OpenAI ou de quem tem o ecossistema, e serve ao ecossistema — é o Rufus levado ao limite. No terceiro, agente do usuário: o assistente é portátil, aberto ou regulado para servir à pessoa, e a plataforma vira um fornecedor entre vários. A unidade de compra muda em cada degrau: impressão, depois inclusão, depois verificabilidade.

Eixo vertical · o regime

Uma variável só, que funde duas perguntas que andam juntas: o que a máquina pode ser paga para fazer, e com que dado. No polo frouxo, o perfilamento comportamental segue livre para adultos, a plataforma pode vender posição dentro da resposta ou da decisão com rótulo mínimo ou nenhum, e a prática é aceita. No polo duro, consentimento real, verificação de idade, interoperabilidade e responsabilidade por anúncio pago viram infraestrutura obrigatória, e a influência comercial dentro da IA passa a exigir rótulo, separação clara entre resposta e patrocínio, limites por categoria e, no limite, dever de lealdade do agente ao usuário. O Brasil já andou no polo duro pela borda (ECA Digital, STF); a Europa andou pelo centro (DMA, AI Act).

Mapa de forças: impacto × incerteza
  • D1 Automação da compra e do criativo impacto 0.9 · incerteza 0.25
  • D2 Delegação da compra a agentes impacto 0.87 · incerteza 0.72
  • D3 Regime de dado e de influência paga em IA impacto 0.8 · incerteza 0.68
  • D4 Concentração de inventário impacto 0.85 · incerteza 0.3
  • D5 Migração para superfícies de transação impacto 0.78 · incerteza 0.36
  • D6 Colapso do tráfego da web aberta impacto 0.7 · incerteza 0.42
  • D7 Aceitação do anúncio sintético impacto 0.65 · incerteza 0.78
  • D8 Precificação explícita da atenção impacto 0.6 · incerteza 0.52
  • D9 Novas superfícies (óculos, CTV, TV 3.0, WhatsApp) impacto 0.56 · incerteza 0.64
  • D10 Creator como formato humano impacto 0.55 · incerteza 0.32
  • D11 Capex de IA como pressão por monetização impacto 0.5 · incerteza 0.44
  • D12 Ciclo político e setorial brasileiro impacto 0.4 · incerteza 0.56
O que é praticamente certo

A compra e o criativo serão automatizados de ponta a ponta até 2030

Impacto 0,90, incerteza 0,25. As três maiores já entregam isso e o incentivo econômico é total. Não é variável de cenário, é premissa de todos eles. O que muda entre os mundos não é se a máquina opera, é quem lê o resultado do outro lado.

A concentração continua

Impacto 0,85, incerteza 0,30. Não há sinal de reversão estrutural depois da decisão judicial de setembro de 2026, que manteve o Google inteiro com remédios comportamentais, e a WARC projeta 60% da verba global em três empresas em 2030. O anunciante negocia com oligopólio em todos os cenários.

O comércio vira mídia

Impacto 0,78, incerteza 0,36. Retail media e social commerce crescem acima do mercado em todas as projeções, de fornecedor ou não, e a lógica é simples: é onde a mensuração ainda funciona. Quem tem a caixa registradora tem o dado, e quem tem o dado vende mídia.

O creator segue como o formato humano premium

Impacto 0,55, incerteza 0,32. A verba deliberada em creators cresce quatro vezes mais rápido que a mídia total nos EUA, e o Brasil tem 14 milhões de influenciadores. A direção é certa; o que é incerto é quanto disso vira sintético, e esse pedaço entra como driver D7, não aqui.

Abaixo da superfície: do mito à manchete

Litania · A camada da manchete

O que circula em evento e em manchete: "a IA vai matar as agências" (Altman: 95% do que agências fazem será IA), "o cookie morreu" (e não morreu: o Google desistiu em 2025), "a busca acabou" (e cresceu 17% no 2T26), "retail media é a nova TV", "a Gen Z odeia anúncio" (57% dos consumidores estão mais receptivos), "publicidade digital cresce 12,7% e soma R$ 42,7 bilhões". A litania conta uma história de crescimento com ruído: um setor em expansão que está se adaptando à IA. Quem só lê aqui compra a tese das plataformas: mais eficiência, mais resultado, menos fricção. É uma camada feita de meias-verdades urgentes.

Sistêmico · A camada das causas

Cinco engrenagens produzem o quadro. A primeira é o leilão como mecanismo de alocação, que premia quem entrega mais dado e mais decisão à plataforma — concentração não é acidente, é consequência (57,6% em três empresas). A segunda é a dependência de mensuração: o anunciante paga porque a plataforma prova resultado com a régua da própria plataforma, e quando o clique some a régua é substituída por outra régua dela. A terceira é o financiamento da web aberta por anúncio: 25 anos de conteúdo grátis sustentados em impressão vista por humano, e o agente que lê sem ver desmonta a base. A quarta é a cadeia de intermediação: agência, ad tech, verificação e medição existiam porque a operação era complexa; a automação retira a complexidade e, com ela, a razão de ser da camada (mais de 18 mil vagas cortadas nas holdings em 18 meses). A quinta, específica do Brasil, é a dependência de plataforma estrangeira sem contrapeso doméstico: dos R$ 42,7 bilhões de 2025, 55% foram para social e 26% para busca.

Visão de mundo · A camada da ideologia

A indústria opera sob quatro crenças que quase ninguém enuncia. "Atenção é mercadoria": o tempo da pessoa pode ser comprado e vendido em unidade (impressão, view, segundo). "Relevância justifica vigilância": quanto mais a plataforma sabe, melhor para o usuário, então rastrear é serviço. "Grátis se paga com dado": o contrato implícito da web, aceito sem ser lido. "Performance mensurável vale mais que marca": o que não cabe num painel de atribuição é desperdício. O que os sinais deste report mostram é que a visão de mundo já está sendo trocada sem cerimônia: quando 26% das respostas de um assistente trazem anúncio e a Amazon cobra por aparecer na sugestão do Rufus, o que está sendo vendido não é mais atenção, é inclusão na decisão. A própria WPP Media escreveu, no relatório de meio de ano, que mensagens dirigidas a humanos podem não ser suficientes para uma era em que parcela relevante das decisões comerciais é tomada por sistemas não humanos. A holding que vive de comprar atenção está avisando que o produto vai mudar.

Mito e metáfora · A camada mais profunda

A metáfora dominante da publicidade digital é o outdoor na estrada: a pessoa passa, o anúncio está lá, e a arte é colocar o outdoor certo na curva certa. Toda a linguagem da indústria vem daí — impressão, alcance, frequência, estar onde o consumidor está. Por baixo do outdoor há um mito mais antigo: o pregoeiro na praça. A praça é pública, o grito é livre, quem tem voz mais forte vende mais. O problema é que a praça acabou. A pessoa não passa mais pela estrada: ela manda alguém passar por ela. E o outdoor não convence um agente. O agente não tem olhos, não se distrai, não sente urgência. Ele lê feed de produto, compara atributo, checa reputação e decide. A metáfora do outdoor virou ruína, e a indústria ainda está pintando outdoors.

Os três horizontes

Curto prazo · H1 2026 a 2030

O cenário-base, com as tensões já visíveis. Não é escolha: é o chão de onde os seis mundos partem.

Médio prazo · H2 2030 a 2040 · as seis trajetórias

Onde quase toda decisão de capital vai ser tomada. Em pares, um degrau de leitor por vez: humano, agente da plataforma, agente do usuário — e em cada degrau, o regime frouxo e o duro.

Longo prazo · H3 e o extremo 2040 a 2050

A convergência dos seis mundos, e, em camada separada e rotulada, o exercício de estresse que testa a tese.

O método, passo a passo
  1. Horizon Scanning por STEEP mais Values Varredura ambiental por Social, Tecnológico, Econômico, Ambiental, Político-legal e Values, com disciplina de centro e de borda, separando driver de fundo de sinal datado.
  2. Trend Analysis em três níveis Megatendência (o clima), tendência (a árvore) e sinal (o broto), cada um posicionado na curva S: adoção lenta, aceleração ou saturação.
  3. Radar de sinais com wild cards 24 sinais com horizonte, confiança e tipo. Cada linha passou pela regra de três ou está marcada como fraca. Cinco wild cards de baixa probabilidade e alto impacto.
  4. Grid de impacto por incerteza Doze drivers pontuados de 0 a 1 em impacto e incerteza, com as notas atribuídas antes da escolha dos eixos e cada uma ancorada em sinal citado.
  5. Causal Layered Analysis As quatro camadas (litania, sistêmico, visão de mundo, mito) rodadas de verdade, e a subida: a troca da metáfora do pregoeiro pela do mordomo, e o sistema que decorre dela.
  6. Three Horizons de Sharpe A espinha temporal que separa o que declina (H1), o que disputa a transição (H2) e o que nasce na borda (H3), com a pergunta do horizon gap.
  7. Scenario Planning à la Schwartz Matriz de eixos independentes no médio prazo, testada por independência na CLA e no grid de drivers. Aqui com três degraus no eixo X, porque a troca de leitor é sequência, não chave.
  8. Windtunnelling A estratégia típica de 2026 passada por cada um dos seis cenários, para mostrar onde ela quebra e por quê.
  9. Prêmio dimensionado Cada cenário com ordem de grandeza em reais, aritmética exposta e confiança declarada, para ser refeito e contestado.
  10. Framework de signposts Dezesseis indicadores ligados ao cenário que sinalizam, com fonte de checagem e frequência de leitura.
  11. Classificação de fontes por tier T1 primária ou oficial, T2 imprensa de negócios séria ou entidade setorial, T3 fornecedor ou agregador usado só como cor. Projeção de fornecedor sempre marcada.
  12. Declaração de lacunas O que a pesquisa não conseguiu localizar está declarado na seção de limites, não maquiado.

O estudo roda o Framework Foresight de Hines e Bishop como espinha (framing, scanning, forecasting, visioning, planning e monitoramento). Os métodos abaixo foram executados de fato no corpo do report — nada é anunciado sem ser entregue. Disciplina de fonte aplicada em todo o texto: cada número vem com fonte e com tier, e com o que significa. T1 é fonte primária ou oficial, T2 é imprensa de negócios séria ou entidade setorial citando fonte identificada, T3 é fornecedor, blog ou agregador, usado só como cor e nunca para sustentar tese. Projeção de fornecedor entra sempre marcada como tal. Onde a evidência é fina, o texto diz.

Onde a evidência é fina

Não existe share de Google e Meta específico do Brasil

Nenhuma fonte pública publica a divisão por plataforma do digital brasileiro. O report usa a proporção social contra search do IAB Brasil (55% e 26%) como proxy, e diz isso onde usa. Qualquer número de share por plataforma no Brasil que circule no mercado é estimativa de alguém.

Os totais brasileiros não são comparáveis entre si

Cenp-Meios (R$ 28,9 bilhões, só o que passa por agência, líquido), Cenp mais Kantar (R$ 64,7 bilhões em 2024, extrapolado) e IAB Brasil (R$ 42,7 bilhões, só digital, inclui compra direta) medem coisas diferentes. O report usa o IAB como âncora do digital e o Cenp como âncora de share, e nunca soma os dois. Retail media brasileiro varia de R$ 4,8 bilhões (IAB) a US$ 2,64 bilhões (Nielsen e WARC via IAB) por escopo.

Não há medição independente de anúncio em IA, comércio por agente e tráfego de máquina

Os três números mais importantes do curto prazo vêm das próprias plataformas ou de quem vende serviço em cima delas. Não existe auditoria independente de nenhum deles em nenhuma jurisdição — e essa ausência é, ela própria, um dos indicadores do framework de monitoramento (S14).

O horizonte 2040 a 2050 se apoia em ensaio, não em dado

A pesquisa não localizou survey brasileiro de 2025 ou 2026 sobre adoção de Advantage+ e Performance Max por agências; o dado mais recente é de 2024 (KPMG com Meio & Mensagem). Amazon Ads Brasil, RD e Carrefour não publicam receita local. E as projeções de longo prazo deste report são cenários construídos sobre ensaio e sobre um estudo de consumidor (Dentsu 2035), não sobre série histórica. O report trata isso como linguagem de possibilidade, não de previsão.

Munição para conteúdo e palestra

A frase-âncora e a de fecho

Abertura: o anúncio não morre, troca de leitor. Fecho: o anúncio nasceu para interromper humanos e vai sobreviver negociando com máquinas. A metáfora que sustenta as duas: do pregoeiro na praça ao sussurro no ouvido do mordomo — e há só dois jeitos de falar com o mordomo, subornar ou merecer.

Os três dados-choque

Um terço da receita de anúncios da Meta já roda sem humano decidindo (US$ 75 bilhões de run-rate no 2T26). O ChatGPT fez US$ 1 bilhão de run-rate de anúncios em menos de 200 dias e já vende no Brasil. E a internet passou a TV somada no Brasil no primeiro semestre de 2026, em ano de Copa, quando a TV joga em casa.

A vinheta de abertura e a provocação de fecho

Abertura: a CMO que em 2030 não aprovou um único criativo e viu 4 mil variações serem geradas na semana. Fecho: o take rate da plataforma cresce em cinco dos seis cenários, e a única defesa é ter o que a plataforma não tem. Se a resposta para "o que eu tenho que ela não replica" for nada, você já é cliente cativo e só não sabe o preço.

O conceito batizado e a pergunta de board

Conceito: Mídia de Inclusão, o orçamento que compra presença nos sistemas que decidem, ao lado da Mídia de Atenção. Pergunta para levar à mesa: quanto do nosso orçamento está comprando atenção, e quanto está comprando inclusão? Em 2026 quase ninguém sabe responder, e é exatamente por isso que a pergunta funciona.

De onde veio cada dado · 36 fontes
  • IAB Brasil e Kantar Ibope Digital AdSpend 2026 (ano-base 2025) — tamanho do digital brasileiro, canais, vídeo, retail media, setores abr/2026
  • Cenp-Meios Painel Cenp-Meios 2025, 1T26 e 1S26 — share da internet e da TV, série histórica; painel de 330 agências auditado pela KPMG 2026
  • IAB e PwC Internet Advertising Revenue Report FY2025 — receita dos EUA, social ultrapassando search, concentração do top 10 abr/2026
  • WARC Global Ad Trends — concentração das três plataformas, declínio da mídia legada, projeção de 60% em 2030 set e dez/2025
  • WPP Media This Year Next Year, midyear 2026 e Advertising in 2030 — mercado global, Big 3, busca generativa, Brasil 2025 e 2026
  • Dentsu Global Ad Spend Forecast 2026 e Consumer Vision 2035 — trilhão, crescimento por canal, Brasil como mercado que mais cresce jan e jun/2026
  • Meta Platforms Resultados 4T24, 1T26 e 2T26; relatório de conformidade ao DMA — Advantage+, Generative Recommender, WhatsApp Status, preço por anúncio, capex jan a jul/2026
  • Alphabet Resultados 4T25 e 2T26; Google Marketing Live 2026 — AI Max, AI Mode, Ask Advisor, UCP, receita de busca crescendo 17% fev e jul/2026
  • Amazon Resultados 2T26; Amazon Ads — Ads Agent, Rufus com cobrança desde 25/03/2026, Sponsored Prompts no Alexa+ 2026
  • OpenAI Testing ads in ChatGPT e A milestone in expanding access to AI — run-rate de US$ 1 bilhão, países, chegada ao Brasil fev e ago/2026
  • MercadoLibre Resultados 4T25, 1T26 e 2T26 — Mercado Ads +73% via IA de sellers, share latino-americano acima de 10% fev a ago/2026
  • Magazine Luiza Relatório da Administração 2025 e resultados — Magalu Ads +54% com GMV de marketplace caindo 8% mar/2026
  • SparkToro e Similarweb Zero-click 2026 e ad load em respostas de IA — 68,01% das buscas sem clique; 26% das respostas gratuitas do ChatGPT com anúncio 2025 e 2026
  • Pew Research Center Google users are less likely to click when an AI summary appears — 8% contra 15% de clique jul/2025
  • Cloudflare Pay per crawl (2025) e bloqueio padrão de crawlers de IA em páginas com anúncio (15/09/2026) 2025-2026
  • Agência Gov e ANPD ECA Digital (Lei 15.211/2025), Decreto 12.880/2026 e Resolução CD/ANPD 30 — perfilamento de menores, multas, prioridade de fiscalização dez/2025 e ago/2026
  • STF, via Mattos Filho Tese consolidada sobre o art. 19 do Marco Civil — presunção relativa de culpa da plataforma em anúncio pago e impulsionamento jun/2026
  • Ministério da Fazenda e SPA Portarias 73/2026 e 1.964/2026 — regras de publicidade de bets, alerta em 10% do espaço do anúncio jul/2026
  • Câmara dos Deputados Tramitação do PL 2338/2023 (Marco Legal da IA) e do PL 4.675/2025 (DMA brasileiro) 2025 e 2026
  • Comissão Europeia e Conselho da UE Multa de 200 milhões de euros à Meta pelo DMA; início da aplicação das regras de transparência do AI Act (art. 50) abr/2025 e ago/2026
  • AdExchanger e CNBC Decisão da juíza Brinkema sobre remédios no caso de ad tech do Google; fim do Privacy Sandbox 2025 e set/2026
  • Cetic.br e IBGE TIC Domicílios 2025 e PNAD Contínua TIC 2025 — mobile-only, penetração de internet, uso de IA generativa dez/2025 e jul/2026
  • DataReportal e Comscore Digital 2026 Brazil; panorama digital BR — 7h39 online, 4h10 em redes, WhatsApp em 93,9%, 44,9 milhões usando assistentes de IA 2025 e 2026
  • Kantar Ibope e Kantar Media Reactions 2025 (21 mil consumidores) e audiência de telas — receptividade a anúncio, aversão ao sintético, plataformas preferidas set/2025 e 2026
  • IAB (EUA) The AI Ad Gap Widens; Creator Economy 2025-2026; Outlook 2026 — gap de 37 pontos, US$ 37 bi em creators, 76% otimizando para IA 2025 e 2026
  • Harris Poll e 4As; Ipsos via eMarketer Aceitação do anúncio sintético; confiança em IA com anúncio — 78%, 63%, Gen Z 39% negativa 2026
  • Tang et al. (UbiComp 2025); Chu e Hou (arXiv, 2026) Ads that Talk Back (n=179); Incumbent Advantage em recomendação de LLM — detecção de anúncio conversacional e viés de incumbente 2025 e 2026
  • Modern Retail, Forrester e eMarketer Fim do Instant Checkout; conversão em chat no Walmart; projeções de retail media e de e-commerce via IA no Brasil mar/2026 e 2026
  • Visa, Mastercard e Google via TechCrunch Pagamentos por agente em produção com 30+ emissores europeus; Agent Pay; Universal Commerce Protocol com Walmart, Target, Shopify e Etsy jan a jul/2026
  • AdTechRadar e Digiday Time e Mobian com anúncios em markdown e bloqueio da Perplexity; problema de 3%, navegadores com agente, fala do IAB Tech Lab ago/2026 e 2026
  • Netflix, Prime Video e Globo via Meio & Mensagem Plano com anúncios no Brasil (35 mi de usuários, 60% dos novos); +R$ 10 no Prime; Globo com R$ 12,5 bi em publicidade, +15% mar a set/2026
  • Axios, FT via HRKatha e PRWeek Cortes nas holdings (mais de 18 mil vagas em 18 meses); Omnicom absorvendo a IPG; Publicis comprando a LiveRamp por US$ 2,2 bi dez/2025 e 2026
  • EssilorLuxottica via CNBC; Kantar Ibope via YouTube Brasil Mais de 7 milhões de óculos Meta em 2025; TV 3.0 em jun/2026; 80 milhões de adultos no YouTube na TV conectada 2025 e 2026
  • Conar; Meio & Mensagem e Nielsen Guia de influenciadores 2026 e decisão de não obrigar rótulo de conteúdo gerado por IA; censo de creators no Brasil (14 milhões) mai/2026 e 2025-2026
  • Doc Searls, Stratechery e Ben Thompson Intention economy; Agentic Web; anúncios em chat — base conceitual do eixo horizontal e do H3 2025 e 2026
  • McKinsey; GeekWire The agentic advertising economy (faixas de transação em IA); liminar Amazon contra Perplexity Comet mar e jun/2026
Glossário

Mídia de Inclusão

O orçamento que compra presença verificável nos sistemas que decidem no lugar do humano: dado estruturado de produto, certificação, reputação auditável e, onde permitido, prioridade paga em mercados regulados. É a metade nova do orçamento de mídia do H3, e o conceito batizado por este report.

Mídia de Atenção

O orçamento que compra a atenção humana residual, que ficou cara, rara e ritualizada: esporte ao vivo, tela grande compartilhada, criador com audiência fiel, experiência física, evento. A outra metade do orçamento no H3, e a única que ainda constrói memória.

Mídia sem Tela

O nome do sistema que domina em 2050 se o H3 vencer: a publicidade dividida em duas camadas que não se misturam, uma para máquinas e outra para humanos, com o anúncio como interrupção reduzido a exceção.

Agente da plataforma

O assistente que decide pelo consumidor e pertence a quem tem o ecossistema (Google, Meta, Amazon, OpenAI, Mercado Livre) e serve ao ecossistema. O Rufus é o exemplo vivo em 2026. Segundo degrau do eixo horizontal.

Agente do usuário

O assistente portátil, aberto ou regulado, que serve à pessoa e trata a plataforma como um fornecedor entre vários. Não existe em escala em 2026. Terceiro degrau do eixo horizontal, e o que muda o poder de barganha do anunciante.

Dever de lealdade do agente

A regra, hoje inexistente em qualquer jurisdição, que obrigaria o agente que age em nome de uma pessoa a servir a ela, e não a quem o paga. É o indicador mais importante do framework de monitoramento: a presença ou ausência dessa cláusula nas leis de IA de 2027 a 2030 separa o Procurador Fiel do Leilão Invisível.

Custo por inclusão (CPI)

A unidade de compra que nasce quando a decisão passa por agente: paga-se para estar na lista que o agente considera, não para aparecer numa tela. Diferente do CPM e do CPC, ela se soma à taxa de transação — o anunciante paga duas vezes pela mesma venda.

Take rate

A fatia do valor da transação ou da decisão que fica com a plataforma. Cresce em cinco dos seis cenários de médio prazo deste report, e é a variável que decide se o ganho de eficiência da automação chega à margem do anunciante ou fica no caminho.

Registro de oferta

O arquivo estruturado e legível por máquina com preço, prova de origem, garantia, laudo e estoque que os agentes consultam. No Bazar e no Procurador Fiel, é o que substitui a peça publicitária. Quem mente no registro perde reputação junto a todos os agentes de uma vez.

Otimização para agente (AEO ou GEO)

A disciplina que sucede o SEO: em vez de disputar posição numa página de resultados, disputa-se inclusão numa decisão. 76% dos compradores de mídia americanos já otimizam para respostas de IA; no Brasil a régua ainda está no chão.

Zero-click

A busca que termina sem visita ao site. 68,01% no Google dos EUA entre janeiro e abril de 2026, contra 45% em 2016. É o sintoma que anuncia o fim do clique como unidade de mensuração.

Pay per crawl

O modelo em que o publisher cobra do robô que lê a página, em vez de depender da visita humana. A Cloudflare tornou o bloqueio padrão em páginas com anúncio a partir de setembro de 2026, e isso transforma conteúdo em licença.

Windtunnelling

O teste que passa a estratégia atual por cada cenário para descobrir onde ela quebra e por quê. Neste report, a estratégia típica de 2026 sobrevive em dois dos seis mundos de médio prazo.

Signpost

Indicador observável, datado e checável por qualquer pessoa, ligado ao cenário que ele sinaliza. Substitui a probabilidade: em vez de dizer que um futuro tem 30% de chance, o report diz o que olhar para saber se ele está vencendo.

Curva S

A forma típica de adoção de uma mudança: lenta no começo, rápida no meio, plana na saturação. A tabela de megatendências posiciona cada item na curva para separar o que já é balanço do que ainda é aposta.

Inteligência artificial + curadoria humana

Este estudo utiliza inteligência artificial nas etapas de pesquisa, varredura de sinais e localização de fontes. São três modelos de IA operando num sistema integrado proprietário, o ELS · Emerging Learning System, propriedade intelectual de Gui Zanoni. Todos os sinais, cenários e implicações passam por revisão e curadoria humanas antes de chegar a você. Usamos IA sem cerimônia, ela amplia qualidade e produtividade. O juízo, a curadoria e a assinatura são humanos.

O anúncio nasceu para interromper humanos. Vai sobreviver negociando com máquinas.