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O palestrante futurista Gui Zanoni no palco, de boné verde e camiseta preta, falando ao microfone.

Artigos / Palestra sobre futuro e inovação

Palestrante futurista ou de inovação? Depende da pergunta.

Gui Zanoni

Gui Zanoni · 9 min de leitura

Você está montando a grade do evento e abriu duas listas.

Numa está escrito palestrante futurista. Na outra, palestrante de inovação. Os nomes se repetem, os temas parecem iguais, e todo mundo promete falar de inteligência artificial.

A diferença existe. Ela não mora no currículo de quem sobe ao palco. Mora na pergunta que o seu evento precisa responder.

O futurista responde para onde ir.
O palestrante de inovação responde como chegar lá.

Eu circulo pelos dois lados. Sou futurista certificado pelo Institute for the Future e fui Líder de Inovação e Transformação Digital do Grupo Boticário. Por isso este texto é menos sobre mim e mais sobre o seu briefing: o que cada um faz, quando chamar cada um e quando vale juntar os dois.

O que faz um futurista no palco?

O palestrante futurista lê o futuro em sinais, não em manchetes, e mostra à liderança que decisões cada futuro possível pede. A ferramenta dele é o foresight.

Na prática, ele trabalha com sinais fracos, tendências e cenários. Não diz o que vai acontecer em 2030. Mostra os caminhos possíveis e pergunta o que a empresa faria em cada um. No palco, eu faço isso com um radar de sinais, que está explicado inteiro no artigo o que é foresight.

Definição

Palestrante futurista expressão

Palestrante que leva ao palco a leitura de sinais, tendências e cenários de futuro, para que líderes e times decidam com antecedência em vez de reagir. Trabalha com vários futuros possíveis, nunca com uma previsão única.

O método por trás é o foresight. A palavra de base está no glossário, em futurista.

Retrato em preto e branco de Gui Zanoni, de camiseta branca e braços cruzados, olhando para a câmera.
Foto: acervo Gui Zanoni.

Futurista também não é futurólogo. A palavra futurologia foi criada em 1943 por Ossip Flechtheim, um professor alemão refugiado nos Estados Unidos. Ele queria uma ciência capaz de fazer previsões confiáveis. Isso nunca se provou possível.

O futurista trabalha com o que dá para trabalhar: vários futuros, comparados com método. Quando alguém promete dizer como estará o seu mercado daqui a cinco anos, desconfie. Está mais perto da futurologia do que do foresight.

O que faz um palestrante de inovação?

O palestrante de inovação mostra como uma empresa transforma ideia em resultado. Cultura, experimentação, processo, inovação aberta, novos negócios. O horizonte é curto de propósito: o que muda na rotina dos times a partir da semana seguinte.

Aqui pesa ter feito. Inovação dentro de empresa grande briga com orçamento, com prazo e com a área dos outros. Quem só conta de fora costuma entregar uma lista de casos famosos que a plateia aplaude e não consegue copiar.

Gui Zanoni de jaqueta azul clara, com microfone, num espaço de inovação com cubos verdes do Sicredi. No telão, a pergunta: O que você anda imaginando?
Na Sicredi Dexis, com “a pergunta que fica” no telão. Foto: acervo Gui Zanoni.

O melhor termômetro é o que a sala faz depois. No Encontro Estadual de Inovação do Sistema Ocepar, em Curitiba, a atividade sobre como engajar times para inovar reuniu cerca de 130 pessoas de cooperativas do Paraná. Cada mesa saiu com um teste e um compromisso.

É assim que cultura de inovação sai do slide: experimentação pequena, com dono e com data.

Palestrante futurista ou palestrante de inovação: lado a lado

A diferença fica clara quando você compara a pergunta, o horizonte e o que a plateia leva para casa.

Comparação entre palestrante futurista e palestrante de inovação
FuturistaInovação
A perguntaO que pode mudar, e o que isso pede de nós?Como mudamos a forma de trabalhar para chegar lá?
O horizonteAnos à frente, com vários futuros possíveis.Hoje e os próximos ciclos de execução.
O métodoForesight: sinais, tendências, cenários.Experimentação, cultura, processo, novos negócios.
O que a plateia levaRepertório para decidir com antecedência.Práticas para mudar a rotina do time.
Onde costuma entrarPlanejamento estratégico, fórum de C-level, conselho.Programa de inovação, evento de cultura, transformação digital.
Quando dá erradoPlateia inspirada que não sabe o que fazer quando volta para a mesa.Plateia ocupada com o processo certo para o futuro errado.

A última linha é a que mais pesa. Os dois erros custam caro, cada um do seu jeito.

Por que cada lado erra quando está sozinho?

Roy Amara presidiu o Institute for the Future, a mesma casa onde eu fiz a minha certificação. Ele deixou uma frase que quase todo futurista acaba citando:

“Tendemos a superestimar o efeito de uma tecnologia no curto prazo e a subestimar o efeito no longo prazo.”

Roy Amara, na tradução livre da frase registrada no Oxford Essential Quotations e citada pela AFP.

Eu leio essa frase como um aviso para os dois palcos. A palestra de inovação sem leitura de futuro cai no primeiro erro: abraça a novidade da semana, abre projeto, e o projeto morre na reunião seguinte. É o ciclo de hype visto de dentro da empresa.

A palestra de futuro sem execução cai no segundo. A sala sai convencida de que tudo vai mudar em dez anos e volta para a mesa como se nada mudasse amanhã.

Futuro sem execução vira inspiração.
Execução sem futuro vira pressa.

Qual dos dois contratar para o seu evento?

Contrate um futurista quando o evento precisa decidir para onde ir. Contrate um palestrante de inovação quando a direção já está decidida e o desafio é chegar lá. Na dúvida, eu começo o briefing por uma pergunta só.

Qual decisão este evento precisa destravar?

  1. Se a pergunta é para onde ir

    Chame o futurista.

    A liderança está montando o plano dos próximos anos, o setor está sendo sacudido pela IA ou ninguém sabe ainda o que é moda e o que é estrutura. Cabe em planejamento estratégico, fórum de C-level e reunião de conselho.

  2. Se a pergunta é como chegar lá

    Chame o palestrante de inovação.

    A estratégia já existe e o gargalo é cultura, velocidade ou coragem para testar. Cabe em programa de inovação, semana de inovação e evento de transformação digital.

  3. Se o evento precisa das duas

    Chame quem transita pelos dois.

    Kickoff do ano, convenção de vendas, congresso: abre com a leitura do cenário e fecha com o que cada área testa na volta. Ou um palestrante que faça as duas coisas, ou dois momentos bem separados na agenda.

Um palestrante pode juntar os dois?

Pode, quando a pessoa viveu os dois lados do balcão. A minha disciplina foi construída assim: primeiro dentro das empresas que viveram a transformação digital, no Grupo Boticário, no HSBC e na Contabilizei, e hoje nos palcos que tentam ler o próximo movimento.

A certificação do IFTF, na especialização Futures Thinking, me deu o método. A empresa grande me mostrou o que acontece com uma ideia quando ela precisa sobreviver a orçamento, prazo e cultura.

Gui Zanoni falando ao microfone, de camisa escura e crachá, diante de um painel azul com o título Encontro Estadual de Inovação.Fazer andar
Gui Zanoni de camisa marrom, com microfone e passador de slides, num palco escuro diante do telão.Ler sinais
À esquerda, no Encontro Estadual de Inovação. À direita, numa das minhas palestras. Fotos: acervo Gui Zanoni.

No palco, isso vira roteiro: perceber os sinais, conectar as pessoas e construir o amanhã com o que dá para testar. Foi o caminho da palestra na Semana da Inovação da Sicredi Dexis, que foi ao ar inteira no YouTube.

Assistir no YouTube
Semana da Inovação, “O sucesso de hoje não garante o de amanhã”. A palestra inteira, no canal da Sicredi Dexis. Ver no YouTube

O cuidado é não diluir. Palestra que tenta ser tudo vira um passeio por tendências sem decisão no fim. O briefing serve para escolher o peso de cada lado: mais radar para o conselho, mais teste para o time.

O fio que amarra os dois é a Era da Imaginação. Quando executar fica barato, o futurista ajuda a escolher o que vale a pena imaginar, e a inovação põe à prova antes dos outros.

Executar ficou barato. Imaginar virou o jogo.

Como escolher uma palestra sobre futuro e inovação?

Pelo peso de cada lado. São quatro palestras sobre IA, futuro e inovação, e todas carregam os dois lados, em doses diferentes. Do hype da IA ao Comportamento puxa mais para a leitura de futuro: separa o ruído passageiro das mudanças que redesenham negócios e carreiras. O novo jogo comercial na era da IA puxa mais para o que muda no trabalho do time de vendas, da prospecção ao fechamento.

Para congressos e convenções, a página de palestras para congressos e eventos mostra cada formato, da abertura ao workshop. Para cooperativas, a de palestras para cooperativas traz os sinais do setor.

Mande o briefing com público, data, cidade e objetivo pelo pedido de proposta. A resposta volta em até um dia útil, com a palestra que encaixa e com quanto futuro e quanta execução o seu evento pede.

Perguntas rápidas sobre palestrante futurista e de inovação

Qual a diferença entre palestrante futurista e palestrante de inovação?
O palestrante futurista trabalha com o horizonte: lê sinais, tendências e cenários para mostrar o que pode mudar nos próximos anos. O palestrante de inovação trabalha com a execução: cultura, experimentação, processos e novos negócios para a empresa mudar a forma como opera hoje. Um responde para onde ir; o outro, como chegar lá.
O que faz um futurista?
Usa métodos de foresight para ler o futuro em sinais, e não em manchetes. Mapeia tendências, monta cenários possíveis e mostra que decisões cada cenário pede da empresa. Um futurista sério não adivinha o que vai acontecer: ajuda a liderança a decidir com antecedência em vez de reagir. O palestrante futurista leva essa leitura para o palco.
Futurista e futurólogo são a mesma coisa?
Não. Futurologia é o termo popular, criado em 1943 por Ossip Flechtheim, e ficou associado a prever o que vai acontecer. O futurista trabalha com foresight: compara futuros possíveis a partir de sinais e tendências para orientar decisões no presente.
Futurista é profissão?
É, e com método próprio. O futurista trabalha com foresight: lê sinais, mapeia tendências e monta cenários para orientar decisões no presente. Há formação específica, como a especialização Futures Thinking do Institute for the Future (IFTF). O que separa o futurista sério do palpiteiro é o método e a fonte.
Quando contratar um palestrante de inovação?
Quando a empresa já sabe para onde quer ir e precisa mudar a forma como trabalha para chegar lá. É o caso de programas de inovação, semanas de inovação, eventos de transformação digital e encontros de liderança que precisam sair com testes e mudanças concretas na rotina dos times.
Gui Zanoni é palestrante futurista ou de inovação?
Os dois. Gui Zanoni é futurista certificado pelo Institute for the Future (IFTF), na especialização Futures Thinking, e foi Líder de Inovação e Transformação Digital do Grupo Boticário. Nas palestras, junta a leitura de sinais com o que o time pode testar na semana seguinte, e o briefing do evento define o peso de cada lado.

Quando a grade fecha bem, a sala sai com as duas coisas: uma ideia mais clara de para onde o mercado vai e um teste marcado para a semana que vem.

Para onde ir, ou como chegar lá?
Qual decisão o seu evento precisa destravar?

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