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Gui Zanoni no palco, de camiseta preta e microfone na mão, com o dedo para o alto. No telão atrás dele, a divisão da sala em grupos por cor: Group 1 Blue, Group 3 Yellow.

Kick-off Electrolux 2025. Foto: Mauro Fanha.

Artigos / Workshop de IA para empresas

Workshop de IA in company: cada mesa sai com um teste.

Gui Zanoni

Gui Zanoni · 8 min de leitura

Palestra de IA tem plateia. Workshop de IA tem mesa.

Na palestra, eu falo e a sala pensa junto. Ri, discorda em silêncio, anota uma frase no celular. Quando acaba, cada um volta para o seu trabalho com a cabeça mexida.

No workshop, o trabalho vem para a sala. O time senta em grupo, com caneta, post‑it e um problema de verdade na frente. E eu passo boa parte do tempo andando entre as mesas.

Eu sou palestrante de inteligência artificial e também conduzo workshops de IA para empresas, in company. Este texto é para quem está escolhendo entre os dois: RH, inovação, quem organiza convenção, congresso, kickoff ou evento de liderança. Vou mostrar como é um workshop de IA in company por dentro, quando ele vale mais que uma palestra e o que a empresa leva no fim do dia.

Definição

Workshop de IA in company formato de treinamento

Encontro prático, feito dentro da empresa e para um time dela, em que as pessoas aplicam inteligência artificial a problemas do próprio trabalho. A sala trabalha em grupos, e cada grupo sai com algo para testar, em vez de só anotações.

In company quer dizer sob medida: o escopo e o formato saem do briefing de cada empresa. O que uma pessoa precisa saber para usar IA com critério tem nome no glossário: letramento em IA.

Qual a diferença entre palestra e workshop de IA?

A palestra muda a cabeça de muita gente ao mesmo tempo. O workshop muda o jeito de trabalhar de um grupo. Os dois servem. Escolher o errado custa o tempo de todo mundo.

Quem trabalha
Eu falo, a sala pensa junto.

Os grupos trabalham. Eu facilito.

O cenário
Palco, telão e plateia.

Mesas, post‑its e uma parede.

A pergunta
Por que isso importa e para onde vai.

Como isso entra no meu trabalho.

O que fica
Clareza e direção.

Um teste e um compromisso por mesa.

Palestra é o que você vê aqui embaixo: a que eu dei na Semana da Inovação da Sicredi Dexis, com a plateia no auditório e transmissão ao vivo no YouTube.

Assistir no YouTube
Semana da Inovação: O sucesso de hoje não garante o de amanhã. Palestra completa no canal da Sicredi Dexis. Ver no YouTube

A palestra responde por quê.
O workshop responde como.

É no palco que cabe o olhar mais longo: ler sinais, comparar futuros, separar moda de estrutura. É o que eu explico no artigo sobre foresight. O workshop pega esse olhar e puxa para a semana que vem.

Quando um workshop de IA para empresas faz mais sentido?

Quando a pergunta do time mudou. Saiu “o que é isso?” e entrou “como eu faço isso no meu trabalho?”. Nessa hora, a palestra fica curta.

E essa pergunta já está na sua empresa, mesmo que ninguém tenha feito em voz alta. Em 2024, a Microsoft e o LinkedIn ouviram 31 mil trabalhadores do conhecimento em 31 países para o Work Trend Index. Três em cada quatro já usavam IA no trabalho. No Brasil, segundo o Meio & Mensagem, eram 83%.

O número que me interessa é outro. Só 39% de quem usava IA tinha recebido treinamento da empresa. E 78% levavam a própria ferramenta para o trabalho.

Traduzindo: o seu time provavelmente já usa IA. Do jeito dele, na conta pessoal, sem método e sem saber o que pode ou não pode entrar ali. A culpa não é de quem usa. Venderam IA como mágica e pularam a parte do treino. É por isso que treinamento de IA para empresas virou assunto de RH e de liderança, e não só de TI.

Três sinais de que é hora de workshop:

  • Existe um processo claro para atacar: proposta comercial, atendimento, relatório, planejamento.
  • O grupo vai continuar trabalhando junto depois, e precisa de um jeito comum de usar a ferramenta.
  • A liderança precisa decidir sobre IA e ainda não pôs a mão nela.

A palestra segue sendo a melhor escolha quando o objetivo é alinhar muita gente de uma vez: convenção, kickoff, congresso, evento de liderança. Ninguém aplica IA num processo real numa plenária lotada. Quem tenta fazer isso transforma o workshop numa palestra comprida.

Dá para fazer os dois no mesmo encontro?

Dá, e muitas vezes é o melhor desenho. A palestra abre a conversa com todo mundo. O workshop aprofunda com quem vai aplicar primeiro.

Foi assim no Encontro Estadual de Inovação do Sistema Ocepar, em Curitiba. Depois da palestra veio a atividade “Como engajar times para inovar”, com cerca de 130 pessoas em mesas. Cada mesa saiu com um teste e um compromisso.

Gui Zanoni de pé, gesticulando, ao lado de participantes sentados em mesas durante um workshop.
Workshop na UniOper. Foto: acervo Gui Zanoni.

No workshop, o meu papel muda. Eu saio do centro do palco e vou para o meio das mesas. Faço pergunta, seguro o relógio, puxo a conversa de volta quando ela escapa para a ferramenta da moda.

Quem trabalha é o grupo. Se no fim do dia quem mais falou fui eu, o workshop virou palestra.

Como funciona um workshop de IA in company por dentro?

Cada workshop sai do briefing, então nenhum é igual ao outro. Mas quem entra na sala costuma encontrar as mesmas peças.

Um grupo de profissionais em volta de uma mesa redonda coberta de post-its coloridos, canetas e uma folha grande com desenhos. Uma placa sobre a mesa indica o número dela.
Uma mesa no meio do trabalho. Foto: acervo Gui Zanoni.
  1. Grupos: a sala vira equipes.

    Cada pessoa sabe de que grupo é antes de sentar. Na foto do alto desta página, num kick-off da Electrolux, a regra estava no telão: quatro grupos, separados pela cor do crachá, passando por todas as sessões até o fim do dia.

  2. Mesa: um problema real em cima dela.

    Cada mesa trabalha um problema do próprio negócio, trazido pelo time. Exemplo inventado não gera compromisso. Problema da semana passada gera.

  3. Parede: as ideias saem da mesa e vão para a parede.

    Post-it é barato de propósito. Ideia num papelzinho é fácil de mover, juntar e jogar fora, e ninguém se apega a ela.

  4. Teste: a melhor ideia vira algo para pôr à prova.

    Pequeno, barato, com dono. A IA ajuda a montar o rascunho em minutos. Decidir se ele vale o teste continua sendo trabalho do grupo.

Participantes de costas diante de um quadro branco com dezenas de post-its em três colunas, com os títulos agora, pra logo e pra depois.
A parede de um workshop: prioridades separadas em agora, pra logo e pra depois. Foto: acervo Gui Zanoni.

Num workshop de IA, uma parede dessas poderia ficar assim:

Agora

  • Resumo da reunião de segunda em cinco minutos
  • Primeiro rascunho da proposta comercial

Pra logo

  • Respostas para as dúvidas mais comuns do RH
  • Triagem de chamados, com uma pessoa revisando

Pra depois

  • Um agente que acompanha o pedido do cliente
  • Relatório do mês montado sozinho
Quadro criado como exemplo para este artigo.

Repara que a coluna da direita é a mais vistosa. Agente de IA rende ótima conversa de corredor. A coluna da esquerda é a que paga o workshop: coisa pequena, que o time testa na semana seguinte, com uma pessoa revisando o que a máquina entrega.

Onde entra o design thinking?

Mesa, post‑it, parede e teste não fui eu que inventei. São a caixa de ferramentas do design thinking, que a IDEO define como uma abordagem centrada nas pessoas para resolver problemas complexos. Por isso um bom workshop de IA também é um workshop de inovação.

O que a IA muda é a velocidade do meio. Antes, ir da ideia ao protótipo levava semanas e dependia de alguém com a habilidade certa. Hoje o grupo monta o rascunho ali na mesa e usa o tempo que sobrou para discutir se a ideia presta.

É o ciclo que eu descrevo no artigo sobre a Era da Imaginação: enxergar a dor certa, imaginar a coisa certa, pôr à prova. A IA acelera muito a parte do meio. As pontas continuam humanas.

Executar ficou barato.
Imaginar virou o jogo.

O que a empresa leva no fim do dia?

Um teste e um compromisso por mesa. É isso que eu quero ver quando a sala esvazia.

Gui Zanoni e um executivo no palco, diante de um telão da Electrolux Group com uma tabela: os valores da empresa numa coluna e, ao lado, frases de compromisso que começam com I will.
No telão, cada valor da empresa ganhou uma frase de compromisso. Kick-off Electrolux 2025. Foto: Mauro Fanha.

O teste é a ideia que sai da sala e vai para o mundo. Pequeno o bastante para caber na semana, claro o bastante para saber se deu certo. É experimentação no tamanho do time.

O compromisso é o nome de quem cuida dele, e a data.

Teste sem dono vira slide bonito na pasta compartilhada.

O resto do escopo, formato e duração inclusos, sai do briefing de cada empresa.

O que preparar antes de levar IA generativa para o time?

Três coisas: acesso às ferramentas, uma regra para os dados e casos reais com quem cuida deles. Sem elas, o workshop perde metade do valor antes do primeiro intervalo.

  1. Acesso às ferramentas.

    Confirme com a TI quais ferramentas de IA generativa estão liberadas e se cada pessoa consegue entrar nelas antes do dia. Workshop de IA sem acesso à IA vira demonstração.

  2. Uma regra para os dados.

    Defina o que pode e o que não pode entrar numa ferramenta de IA, a começar por dado de cliente e informação estratégica. É a primeira conversa de governança de IA, e ela também protege a empresa de tratar alucinação como fato.

  3. Casos reais, e quem cuida deles.

    Peça para cada área trazer um processo ou um documento do dia a dia. E chame para a mesa quem cuida da área que o teste vai mexer, como eu defendo em “isso é da sua área?”.

Como contratar um treinamento de IA para a sua empresa?

Comece pelo briefing: quem vai participar, data, cidade e objetivo. No formulário de contato tem a opção “Workshop / In Company”. A proposta volta em até um dia útil, com o formato que faz mais sentido para o seu time. Inclusive se a resposta certa for palestra.

Os assuntos com que eu trabalho estão nas quatro palestras: IA e comportamento, futuro do trabalho, futuro dos negócios e o novo jogo comercial na era da IA.

Perguntas rápidas sobre workshop de IA para empresas

O que é um workshop de IA in company?
Um workshop de IA in company é um encontro prático feito dentro da empresa para um time específico. Em grupos, as pessoas aplicam inteligência artificial a problemas do próprio trabalho e saem com algo para testar. O escopo e o formato são definidos a partir do briefing.
Qual a diferença entre palestra e workshop de IA?
A palestra alinha a visão de muita gente ao mesmo tempo e responde por que a IA importa. O workshop desenvolve a prática de um time e responde como aplicar a IA num processo real. A palestra abre a conversa, e o workshop transforma a conversa em teste.
Workshop de IA é o mesmo que curso de IA para empresas?
São formatos diferentes. O curso costuma ensinar a ferramenta, módulo por módulo. O workshop in company parte de um problema do próprio time, trabalhado em grupos, e termina com um teste e um compromisso por mesa. Um pode preparar o outro.
Quando escolher workshop em vez de palestra?
Quando o time já entendeu por que a IA importa e precisa aplicá-la num processo concreto, como vendas, atendimento ou planejamento. Para alinhar muita gente de uma vez, como numa convenção, num kickoff ou num congresso, a palestra rende mais.
Dá para combinar palestra e workshop?
Sim. A palestra abre a conversa com todo mundo e o workshop aprofunda com quem vai aplicar primeiro. No Encontro Estadual de Inovação do Sistema Ocepar, a atividade depois da palestra reuniu cerca de 130 pessoas, e cada mesa saiu com um teste e um compromisso.
Como começar a usar IA na empresa?
Por três coisas: acesso às ferramentas liberadas pela TI, uma regra clara sobre que dados podem entrar nelas e um processo real do dia a dia para testar primeiro. O teste começa pequeno, com dono e data.
Gui Zanoni faz workshop de IA in company?
Sim. Além das palestras, Gui Zanoni conduz formatos in company sobre IA aplicada a negócios, customizados para o time e o objetivo da empresa. O escopo e o formato são definidos a partir do briefing, e a proposta volta em até um dia útil.

Quando um workshop termina bem, a sala fica bagunçada. Post-it no chão, folha rabiscada, caneta sem tampa. E em cada mesa, uma frase com um nome e uma data. Essa frase é o que fica quando a bagunça vai para o lixo.

Palestra tem plateia.
Workshop tem mesa.
Qual teste sai da sua mesa?

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